Reportagem

Carrinha abalroa 16 militares em marcha

Carrinha abalroa 16 militares em marcha

Pelotão com 51 homens e uma mulher seguia, sem coletes reflectores, em estrada sem iluminação pública. Três feridos graves politraumatizados transferidos para Lisboa. Um deles mantém prognóstico reservado.

Uma carrinha de distribuição de jornais abalroou 16 militares que seguiam num pelotão, ontem, em Tancos, provocando ferimentos graves em três deles. O acidente ocorreu às 6.45 horas, numa recta junto à Escola de Tropas Pára-quedistas, onde não há iluminação pública. Os 52 militares, que participavam num exercício de marcha, seguiam na estrada sem qualquer colete reflector, conforme assegurou ao JN o comandante dos Bombeiros de Vila Nova da Barquinha.

"Eu só vi uma pessoa de braços abertos a cair-me em cima do pára-brisas. E, depois, uma forte pancada, barulho... Não deu tempo para nada. Estava escuro e os militares não traziam coletes reflectores, nem assinalavam a marcha". Quem o afirmou ontem, ao JN, ainda incrédulo, foi José Filipe, o homem a quem, segundo garante, alguns militares ainda terão tentado, logo após o acidente, "fazer umas festinhas".

Num primeiro momento, o porta-voz do Exército garantiu que todos os elementos do pelotão vestiam coletes. Contudo, mais tarde, emendou a mão: "Efectivamente não usavam coletes. Vinham dois elementos à frente e dois atrás para sinalizar a coluna militar, de forma gestual", explicou o tenente-coronel Hélder Perdigão. Confrontado sobre a obrigatoriedade do uso de colete reflector, limitou-se a responder: "Esta situação vai servir para o Exército reflectir se é necessário adoptar algumas medidas".

O acidente, que ocorreu na estrada nacional que atravessa o polígono militar de Tancos, está a ser analisado pelo Núcleo de Investigação de Acidentes de Viação, da GNR. Contudo, ontem, o comandante do destacamento de Torres Novas da GNR , Pedro Reis, deu a sua versão do que pode ter acontecido: "Ao que tudo indica, o veículo ligeiro de mercadorias dirigia-se na direcção Tancos-Praia do Ribatejo e deparou-se com um indivíduo a fazer sinal para ele se desviar do sentido normal do trânsito, tendo o condutor efectuado essa manobra de recurso entrando na via de sentido contrário. Ao retomar o seu sentido de marcha não se apercebeu que estava na presença de um pelotão de 52 elementos formado em coluna por dois militares", adiantou.

O condutor, que desmente esta versão, foi submetido a testes para detectar substâncias psicotrópicas e álcool, que deram negativos.

Entre os feridos (graduados e instruendos, com média de idades de 20 anos) há apenas uma mulher. Um dos três militares em estado mais grave foi transportado para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, com um "politraumatismo". Foi operado pela neuro-cirurgia e encontra-se "estável", disse fonte médica. O ferido transferido para o Hospital de São José, em Lisboa, encontra-se na unidade de cuidados intensivos com "prognóstico reservado". Tem "politraumatismos graves", informou o hospital. Um terceiro militar foi transferido do Hospital de Abrantes para o de Santa Maria. Apesar de "não inspirar tantos cuidados", necessitava de "acompanhamento de neurocirurgia", disse o porta-voz do Exército.

Entre os restantes militares envolvidos no acidente, 11 já tiveram alta, um recruta está internado no Hospital de Torres Novas e um outro no Hospital de Abrantes.

O ministro da Defesa anunciou, ontem, que o Exército abriu um inquérito ao acidente.