Almada

Perigo de catástrofe em bairro de lata junto ao Tejo acelera realojamento de famílias

Rogério Matos

Famílias ficam em hotéis até serem encontradas casas para arrendar|

 foto Rogério Matos

Famílias do 2.º Torrão realojadas de urgência devido a risco de colapso de vala de drenagem|

 foto Amnistia Internacional

A Câmara Municipal de Almada acionou junto do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) um programa de realojamento urgente com base no perigo de catástrofe com perdas de vidas humanas para 60 famílias residentes no bairro de lata do 2º Torrão.

Em causa está a degradação da vala de drenagem que atravessa o bairro e que apresenta risco de colapso. Por cima desta vala encontram-se as casas habitadas pelas famílias que vão agora sair.

A Amnistia Internacional (AI) visitou o bairro de lata por duas vezes este verão e considera que o plano de realojamento exclui moradores que também estão em risco. "Alguns moradores em casas em cima da vala não foram notificados e estão excluídos do processo de realojamento, apesar de apresentarem igual risco de desabamento e se encontrarem no mesmo perímetro de casas notificadas", afirmou Pedro Neto, da AI. "Por outro lado, existem casas fora do perímetro da vala a serem consideradas e ainda famílias que receberam notas de despejo, mas que não foram posteriormente incluídas no plano de realojamento".

A demolição das casas vai decorrer a partir deste sábado, durante seis dias, e as famílias vão sair para casas arrendadas pela autarquia ou para hotéis até que seja encontrada habitação no mercado de arrendamento, afirma fonte oficial da autarquia que até ao momento não se pronunciou sobre o descrito pela AI.

A solução urgente foi adotada junto do IHRU, que financia parte do arrendamento de casas para as famílias na zona de risco deste bairro ao abrigo do Programa Porta de Entrada. O problema na vala de drenagem foi identificado em julho de 2020, durante uma inspeção da Proteção Civil e apontava para 95 casas em perigo.

Famílias em hotéis até autarquia encontrar casas para arrendar

Hoje, perante a catástrofe eminente alegada pela autarquia junto do IHRU, bem como o facto de a construção das novas casas ainda não ter saído do papel, foi decidido avançar com a medida de realojamento temporário e urgente de 60 famílias.

Ao dia de hoje, nove agregados já se encontram realojados nas novas casas e outros 27 agregados encontraram eles próprios novas casas, descreve fonte oficial da autarquia. Enquanto esperam pela assinatura de contratos, ficarão instalados em unidades hoteleiras em Almada ou Lisboa. A autarquia continua à procura de soluções para as restantes famílias, sendo que oito se recusam a sair do bairro. Todas vão ser alojadas em hotéis enquanto a autarquia procura novas casas no mercado de arrendamento.

"O processo de realojamento tem vindo a ser negociado caso a caso pelos serviços da autarquia com as famílias envolvidas, por forma a acautelar uma transição o mais suave possível e que leve em conta a proximidade das famílias com crianças em idade escolar ou do local de trabalho dos agregados familiares", avança fonte oficial da autarquia.

Residem neste bairro de lata junto ao Rio Tejo cerca de 1400 pessoas em 400 barracas sem condições de habitabilidade. O executivo PS na autarquia tem em vista a construção de 450 casas de habitação social durante este mandato e a prioridade vai para estas famílias que residem na zona de perigo no bairro de lata do 2º Torrão.

"A autarquia iniciou o processo de construção de 95 fogos para dar uma solução habitacional definitiva às famílias das habitações que vão ser demolidas. Encontra-se em curso a elaboração do projeto de especialidades para lançar o concurso público", refere a autarquia. A construção das novas casas será financiada pelo PRR e tem um custo estimado de dez milhões de euros.

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