Habitação

Ânimos exaltados no último dia de demolições em bairro de lata de Almada

Ânimos exaltados no último dia de demolições em bairro de lata de Almada

Moradores exaltaram-se contra o processo de realojamento, no qual muitos se queixam de ter ficado de fora ou a solução apresentada para realojamento não ser digna, em curso em Almada, esta quinta-feira, o último dia de demolições de casas clandestinas no bairro do Segundo Torrão que estão em risco de desabamento.

A GNR está no local, mas não foi necessária, até perto das 12 horas, qualquer intervenção perante alterações à ordem pública, afirmou fonte oficial da GNR de Setúbal. O processo de demolição de casas que se encontram em cima de uma vala de drenagem em risco de desabamento começou no domingo e decorre até esta quinta-feira.

O processo de realojamento motivou a entrada de providências cautelares junto do Tribunal de Almada por 13 famílias contra a demolição das suas casas. Cinco ações foram aceites e uma levou a que o tribunal suspendesse a demolição da casa de uma moradora.

PUB

A autarquia tem agora o prazo de dez dias para se pronunciar e apresentar ao tribunal o processo de realojamento, bem como o relatório da proteção civil que aponta para o risco de desabamento das casas.

De acordo com Marina Caboco, advogada de seis famílias, "a autarquia tem que apresentar o processo de realojamento que pelo que me informaram, não existe, bem como o processo administrativo de despejo que também não foi cumprido, houve pessoas que só foram informadas da demolição no próprio dia".

Vasco Barata, advogado de outras sete famílias, interpôs também uma providência cautelar, que foi aceite pelo tribunal sem suspender a demolição. "Estas famílias ficaram de fora do processo de realojamento por questões burocráticas, falta de documentos apresentados, o que é inaceitável", afirma.

De acordo com a autarquia, até terça-feira, 18 famílias tinham novo alojamento. Oito famílias estarão a viver nas novas casas até esta quinta-feira, outras 12 têm casa aceite e reservada. Há ainda nove que recusaram a casa proposta, e para os quais os serviços da Câmara continuam a procurar novas casas que sejam aceites, e quatro famílias para as quais ainda não existe uma solução habitacional. Todas ficam alojadas em hotéis, avançou fonte oficial da autarquia.

Há casos em que é dado a família a hipótese de comparticipação de um mês de renda numa casa que arrendem. Queixam-se de não ser solução digna.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG