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Garcia de Orta garante que urgência pediátrica tem mantido a "qualidade"

Garcia de Orta garante que urgência pediátrica tem mantido a "qualidade"

O Hospital Garcia de Orta, em Almada, garantiu esta quarta-feira que estão a ser tomadas medidas para combater a falta de médicos na urgência pediátrica, garantindo que o serviço tem mantido a "qualidade", mesmo funcionando a mínimos, com três especialistas.

"O serviço sempre tem mantido a qualidade, mesmo com esta diminuição de recursos. O que tem havido naturalmente é uma sobrecarga de recursos porque são menos, mas a qualidade nunca esteve nem estará em causa", afirmou o presidente do conselho de administração do hospital, Daniel Ferro.

Em declarações aos jornalistas no Hospital Garcia de Orta, em Almada, no distrito de Setúbal, também a diretora clínica, Paula Breia, explicou que atualmente existem três médicos pediatras na urgência, o número mínimo que permite que o serviço se mantenha em funcionamento.

Ainda assim, garantiu que "a segurança será sempre mantida com três médicos", o que significa apenas que, se fossem mais, "o trabalho seria diluído pelas pessoas e seria menos exaustivo".

"A qualidade é garantida porque são pessoas do quadro, muitas delas formadas aqui e a qualidade não tem propriamente a ver com o número, mas com a capacidade que se tem para prestar os cuidados", explicou.

A Comissão de Utentes da Saúde do Conselho do Seixal realizou esta quarta-feira uma conferência de imprensa à porta do Hospital Garcia de Orta, com o objetivo de alertar para a falta de médicos pediatras nesta unidade, que faz com que a urgência desta especialidade "esteja em risco de fechar a partir de dia 13 de abril".

Por outro lado, a administração do hospital disse que estão a ser tomadas medidas para impedir o fecho da urgência, inclusive uma que é transitória, com a contratação de profissionais em regime de prestação de serviços.

Além desta, segundo Daniel Ferro, existem duas outras medidas definitivas, que incluem a integração de "três a quatro pediatras no quadro permanente já em maio" e, posteriormente, o lançamento de um concurso para outros "três ou quatro pediatras", para que entrem em agosto ou setembro.

Ainda assim, na visão de José Lourenço, da comissão de utentes, os profissionais não estão a concorrer aos concursos lançados pelo hospital devido às condições que são oferecidas.

"No caso concreto da pediatria, saíram entre sete a oito profissionais e foi aberto um concurso para três profissionais. Naturalmente que quem está no meio entende que saindo sete ou oito e abrindo um concurso para três, esses três iriam fazer o trabalho dos outros oito", frisou.

Também o presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), João Proença, criticou a administração do hospital por "não conseguir atrair nem fidelizar pessoas para trabalharem no hospital" e que "90% da população médica que trabalha na urgência no Garcia de Orta são de trabalhos temporários".

No entanto, o Garcia de Orta indicou que "a contratação de empresas apresenta neste serviço 2%" e que "não é um drama se no mês de abril for de 3 ou 4%", visto que se está a "garantir o atendimento com qualidade" na urgência pediátrica.

No final de maio, a Ordem dos Médicos alertou para o "cenário muito grave" da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta, avisando que o serviço poderá encerrar alguns dias ou em alguns períodos do mês de abril.

Já nessa altura, a administração do Garcia de Orta garantiu estar a tomar medidas, contudo, na semana passada, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses alertou que o hospital continuava em "risco de encerrar" a partir de dia 13 de abril, por "falta de médicos".

Hospital nega que crianças sejam reencaminhadas para centros de saúde

O Hospital Garcia de Orta negou que as crianças em situação menos urgente estejam a ser reencaminhadas para os centros de saúde de Almada e Seixal, no distrito de Setúbal.

O Sindicato dos Médicos da Zona Sul denunciou, na semana passada, que o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Almada e Seixal estava a pôr em causa a qualidade de assistência pediátrica, ao atender crianças triadas com pulseira verde e azul, reencaminhadas do Hospital Garcia de Orta, que está com falta de médicos da especialidade.

"Isso é uma notícia falsa", afirmou a diretora clínica do Hospital Garcia de Orta, Paula Breia, explicando que o que existe é uma parceria com os centros de saúde do concelho, no sentido de informar os utentes que nem sempre é preciso recorrer às urgências hospitalares.

"Cerca de 70% das crianças que recorrem ao nosso hospital são as chamadas urgências de baixa prioridade, com situações comuns, como tosse, febre, vómitos ou diarreia, que antigamente os nossos pais e avós sabiam como colmatar e as pessoas não iam ao médico de família e muito menos à urgência. Hoje tem-se uma porta aberta e as pessoas recorrem indevidamente à urgência", explicou a diretora clínica.