Caparica

Jogador do Benfica evita tragédia maior na praia onde caiu avião

Jogador do Benfica evita tragédia maior na praia onde caiu avião

Nicolas dos Santos, jogador de basquetebol do Benfica, foi quem evitou uma tragédia maior, esta quarta-feira, após a aterragem de emergência do avião ligeiro, ao salvar os tripulantes da fúria dos banhistas, acalmando o ânimos.

O Benfica confirmou quarta-feira que o basquetebolista do clube Nicolas dos Santos estava no local, tendo ajudado à proteção dos tripulantes "da fúria dos presentes".

"A minha mulher correu para junto da criança e não conseguia parar de chorar (...) porque assistiu a tudo e à aflição da mãe abraçada à filha. Foi horrível. Eu corri para ajudar o nadador salvador, pois havia cada vez mais pessoas a chegar à praia e queriam bater no piloto da avioneta e no tripulante, também eles cheios de medo", afirmou o jogador, citado na página do clube na internet.

"Eu meti-me no meio para tentar evitar que acontecesse outra tragédia. Quis ajudar. A solução não era bater, era manter a calma e esperar que as autoridades, a polícia e a ajuda médica de emergência chegassem. Manter a calma era o mais importante no momento", acrescentou o basquetebolista.

Uma aeronave Cessna 152 aterrou quarta-feira de emergência na praia de São João da Caparica, em Almada, uma ação que provocou dois mortos, uma criança de oito anos e um homem de 56.

A aeronave realizava um voo de instrução que saiu de Cascais e tinha como destino Évora, tendo entrado em contacto com uma torre de controlo reportando uma emergência.

"Estava na praia com a minha mulher e vimos a avioneta a voar de forma estranha, muito baixa, como se estivesse prestes a cair. E vimos mesmo a avioneta a cair na praia e a embater no homem e na menina. Foi muito complicado, viveram-se momentos de muito medo e aflição", relatou o jogador.

Nicolas dos Santos recordou que "as pessoas começaram a correr em pânico, a fugir, vimos vários pais a correr com os filhos. Foi horrível", disse.

Marina Roucha também estava na praia com familiares quando se deu o incidente e confirmou à Lusa que se viveram momentos de pânico.

"A avioneta vinha direita, mas a voar muito baixinho. Depois começou a baixar cada vez mais e na praia entrou tudo em pânico, a gritar e a tentar fugir", disse em declarações à Lusa, salientando que estavam muitas pessoas na praia.

A testemunha ocular refere que viu o homem a ser atingido pela aeronave, que depois acabou por embater numa criança.

"A avioneta bateu na menina com a asa, que se partiu. A mãe ficou logo ao pé da criança a chorar e foram os nadadores-salvadores que taparam os corpos com toalhas de praia. Mais tarde, a polícia acabou por retirar as toalhas e tapar os corpos", referiu.

Marina Roucha afirmou que viu um dos tripulantes a tremer e muitas pessoas a deslocaram-se para junto do avião, indignados com o que tinha ocorrido.

"Um dos tripulantes estava a tremer e não dizia nada. As pessoas dirigiam-se à avioneta e viveram-se momentos complicados", frisou, destacando a intervenção dos nadadores-salvadores, de algumas pessoas e da Polícia Marítima.

Os dois tripulantes da avioneta ficaram com termo de identidade e residência e serão ouvidos hoje pelo Ministério Público.

De acordo com o capitão do porto de Lisboa, Paulo Isabel, uma procuradora do Ministério Público vai hoje ouvir os dois tripulantes, que já estiveram a ser interrogados pela Polícia Marítima.

Segundo o mesmo responsável, correm dois processos em paralelo, um de natureza judicial, no âmbito do Ministério Público, e outro de natureza técnica, levado a cabo pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves.