Mobilidade

Autarca do Montijo diz que é preciso melhorar acessos com novo aeroporto

Autarca do Montijo diz que é preciso melhorar acessos com novo aeroporto

O presidente da Câmara do Montijo disse esta quarta-feira que há "arestas a limar" nas acessibilidades ao novo aeroporto, indicando que as medidas previstas serão suficientes "numa fase inicial", mas que é preciso "programar para o futuro".

"Uma coisa que me parece importante e que não está no estudo é a ligação entre as diferentes regiões de Setúbal, nomeadamente a ligação Montijo-Barreiro em ponte, porque permite pôr o comboio no aeroporto. O comboio está a um quilómetro, basta fazer uma ponte", defendeu Nuno Canta, em declarações à agência Lusa.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) viabilizou na terça-feira a construção do aeroporto na Base Aérea nº 6, no Montijo, no distrito de Setúbal, incluindo no pacote de acessibilidades uma nova ligação à A12, dois barcos para a Transtejo e um 'shuttle' com ligação entre o terminal fluvial do Seixalinho e o aeroporto.

Na visão do autarca do Montijo, estas medidas financiadas pela ANA Aeroportos são suficientes "numa fase inicial", mas defendeu que a infraestrutura irá evoluir e que é necessário "programar estrategicamente as questões para o futuro".

À semelhança da ponte entre o Montijo e o Barreiro, para Nuno Canta deveria considerar-se também uma ponte entre o Barreiro e o Seixal, para que este concelho do distrito de Setúbal também tenha "desenvolvimento e beneficie da infraestrutura aeroportuária".

Outro dos projetos que devem ser já pensados, apontou, é o "alargamento do Cais do Seixalinho, para que os táxis fluviais e barcos possam operar com alguma funcionalidade e eficiência".

Neste momento, a proposta apenas inclui um novo acesso a este terminal fluvial e a atribuição de 10 milhões de euros à Transtejo para a aquisição de dois novos barcos que farão a ligação entre o Montijo e o Cais do Sodré, em Lisboa.

O pacote de acessibilidades abrange também uma nova ligação rodoviária à A12, que entrará em exploração em simultâneo com o aeroporto e implicará "várias expropriações de terrenos entre o concelho do Montijo e Alcochete", de acordo com o autarca.

"A opção que foi aceite pela APA foi a B, o que teve a ver essencialmente com o transporte de combustível, de 'jet fuel' em camião e, portanto, teve que se afastar determinadas zonas que eram sensíveis. Será logo assim que passamos as duas estações de combustível da Ponte Vasco da Gama", adiantou.

Nuno Canta confirmou que o novo aeroporto causará um aumento de tráfego nesta ponte, mas explicou que "não é coincidente com o atual maior problema da circulação", porque o aeroporto não implicará necessariamente mais trânsito nas horas de ponta.

Questionado sobre a necessidade de uma terceira travessia sobre o Tejo, o autarca considerou que esta "é uma questão que se colocará sempre no futuro para que o aeroporto do Montijo e a região se possam desenvolver".

A APA confirmou na terça-feira a viabilidade ambiental do novo aeroporto no Montijo, projeto que recebeu uma decisão favorável condicionada em sede de Declaração de Impacto Ambiental (DIA).

A Agência Portuguesa do Ambiente impôs que sejam cumpridas medidas - relacionadas com a avifauna, ruído, mobilidade e alterações climáticas -- para "minimizar e compensar os impactes ambientais negativos do projeto, as quais serão detalhadas na fase de projeto de execução".

Esta decisão mantém cerca de 160 medidas de minimização e compensação a que a ANA - Aeroportos de Portugal "terá de dar cumprimento", as quais ascendem a cerca de 48 milhões de euros, adianta a nota da APA.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG