Saúde

Fecho de lar ilegal pode deixar idosa sem abrigo

Fecho de lar ilegal pode deixar idosa sem abrigo

Uma mulher de 85 anos corre o risco de ficar sem abrigo no fim do mês, data em que o lar ilegal a funcionar há vários anos na Quinta do Conde, em Sesimbra, vai encerrar por ordem da Segurança Social (SS) devido à falta de condições e de licenciamento. Os outros 19 têm retaguarda familiar, menos aquela utente.

Segundo documentos a que o JN teve acesso, a SS não encontrou indícios de maus-tratos aos 20 idosos, ordenando o encerramento por não respeitar os parâmetros exigidos.

Isa Faria, a proprietária, diz acatar a decisão e já contactou os familiares dos restantes 19 idosos que tem ao seu cuidado, mas não vê resposta da Segurança Social para acolher a idosa noutro espaço, já que a própria filha está numa situação precária. "Ela veio para esta casa há um ano, vivia com um neto toxicodependente e não tomava banho há vários meses", explica a proprietária, que adianta ao JN que os restantes idosos que tem ao seu cuidado vão ser colocados "noutros lares ilegais".

Em resposta ao JN, a Segurança Social confirma que não há uma resposta imediata para a senhora de 85 anos e que "no âmbito das suas competências está a assegurar a articulação com a família da idosa".

"Bem tratados"

Dália Garcia, de Sesimbra, tem a mãe no lar há mais de três anos e diz-se desiludida pela ordem de encerramento. "A minha mãe sempre foi muito bem tratada neste lar e nunca lhe faltou nada. Quando fez uma ferida, há uns meses, recebeu tratamento espetacular pela médica e enfermeira que se deslocam ali frequentemente".

Agora tem de encontrar vaga "num outro lar ilegal", já que a reforma da mãe, 375 euros, não chega para comportar os elevados custos de um lar legal.

O encerramento do espaço foi ordenado porque funcionava com deficiências nas condições de instalação, segurança, funcionamento e higiene. Ao JN, a proprietária mostrou o que levou o instituto a encerrar o lar.

"Temos menos uma casa de banho do que devíamos, a cozinha tem prateleiras de madeira em vez de inox, a lavandaria devia ser organizada de outra forma e o frigorífico devia ficar na despensa".

O lar acolhe atualmente 20 idosos. Existem quatro quartos, três casas de banho, uma área de refeição, cozinha e uma sala de convívio. Entre o rés do chão e o primeiro andar, há uma cadeira elevatória.

Desempregadas

O lar emprega sete funcionárias que vão ficar sem emprego no final do mês. Muitas vão procurar trabalho noutros lares ilegais. Existe ainda uma médica e uma enfermeira que ali se deslocam semanalmente.

Legalização

O lar foi visitado pela SS na sequência de denúncias. A proprietária estava a tratar da documentação para tornar o lar legal.

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