Covid-19

Costureiras deixam trajes de marchas populares para fazer material de saúde

Costureiras deixam trajes de marchas populares para fazer material de saúde

Os relatos sobre a falta de equipamento nos hospitais para proteger os profissionais de saúde da contaminação por Covid-19 levou duas costureiras de Setúbal a colocar de lado os trajes das Marchas Populares do Independente de Palhavã para pôr as mãos à obra.

Numa só tarde, Antónia Nascimento e Cecília Candeias, conseguiram costurar a partir de casa cem botas de proteção para entregar ao Hospital de São Bernardo na quarta-feira. Agora estão dedicadas a máscaras, 200 a ser entregue esta sexta feira e o trabalho não vai ficar por aqui. Mais material deve ser entregue em breve.

A ideia surgiu pelas moradoras no Bairro das Manteigadas no final da semana passada e após contactos com a autarquia e hospital, conseguiram o material antimicrobiano para o fabrico do material. As duas vizinhas não arredam pé das máquinas de costura e agora esperam que a iniciativa solidária "se replique por todo o país". "Temos todos que ajudar o país nesta altura tão delicada, seja de que forma for", diz Antónia Nascimento.

Enquanto à entrada do bairro se vê pessoas na rua, sentadas nos passeios em claro desrespeito pelas normas da autoridade de saúde, dentro da casa de Antónia, o respeito pela doença que assola todo o mundo domina. À medida que as costureiras fazem o melhor que podem, o marido de Antónia ajuda na colocação de arames nas máscaras e confessa que apesar de ter passado pela guerra do Ultramar, é da atual guerra contra o Covid-19 que tem mais receio. "No Ultramar tínhamos o inimigo à nossa frente de arma apontada, aqui o inimigo é invisível e isso é o que mais assusta", diz Carlos Nascimento.

As costureiras não se imaginavam há poucas semanas a fazer o que fazem hoje. Tendo em conta que o trabalho para as marchas populares estava em estado avançado, decidiram colocar as suas habilidades "ao serviço dos que mais precisam". O único problema era que não sabiam que material utilizar. Contactaram Bruno Frazão, líder da Marcha do Independente, que entrou em contacto com a autarquia. A ideia chegou à Proteção Civil e ao Hospital que rapidamente acedeu ao pedido e disponibilizou o tecido.

Hoje, Bruno Frazão diz que tem interessados em produzir o material microbiano e assim aumentar a produção. "Há muitas pessoas, costureiras, interessadas em ajudar e se conseguirmos nós o material, mais máscaras e botas de proteção vão chegar aos hospitais". Ainda assim, o responsável pela marcha do Independente refere que já recebeu telefonemas de pessoas interessadas no material apenas para vender. "Infelizmente, também há pessoas que querem lucrar com esta pandemia", lamenta.

O Centro Hospitalar de Setúbal veio esta quinta-feira agradecer publicamente a todos os que "têm colaborado na doação de material, demonstrando grande solidariedade nesta luta difícil contra o Covid-19". O hospital aponta para um reforço de stock que "permite garantir um nível de proteção adequada aos profissionais nas áreas consideradas de maior risco". Maria das Dores Meira, presidente da autarquia, aponta para a iniciativa das costureiras como "um exemplo para toda a comunidade setubalense e teve, desde a primeira hora, o nosso apoio". "Esperamos que, com este exemplo de cidadania, apareçam mais cidadãos a criar iniciativas solidárias que contribuam para apoiar a dura luta que temos pela frente".

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