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Cuidados Continuados de Lar em Setúbal é encerrado e doentes são retirados 

Cuidados Continuados de Lar em Setúbal é encerrado e doentes são retirados 

A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) está a retirar doentes da Unidade de Cuidados Continuados Integrados de um Lar em Setúbal. A operação de retirada começou esta terça-feira no Clube da Amizade, na localidade de Alto da Guerra, no concelho de Setúbal.

Em causa não estão situações de maus tratos ou falta de condições, mas um processo de insolvência, a não renovação do contrato com o Governo e uma queixa formulada contra o clube, explicou Rita Cristóvão, a proprietária, que se diz revoltada com a situação. A ARSVLT, em esclarecimento enviado ao JN aponta para a falta de funcionários e a instabilidade financeira da instituição.

O Clube da Amizade tem como valências a Unidade de Cuidados Continuados, lar e centro de dia. Estas valências continuam em funcionamento. Os bombeiros de Palmela estão no local e vão auxiliar na transferência.

Ao todo são 26 doentes que estão a ser transferidos para outras Unidade de Cuidados Continuados da região. Têm idades entre os 50 e 80 anos e durante o dia de ontem, cerca de metade foram retirados. Esta quarta feira, está prevista a saída dos restantes.

Rita Cristóvão queixa-se da falta de qualquer pré-aviso do encerramento, que apanhou de surpresa e causou consternação a todos, tanto funcionários como doentes. "Os utentes e os familiares estão indignados com esta situação e não querem sair", acrescenta.

O Clube da Amizade foi declarado insolvente pelo tribunal durante o verão passado devido à falta de pagamento de um empréstimo bancário, cuja entidade bancária não aceitou a prorrogação do prazo. O clube informou a ARSLVT dessa decisão e recorreu da mesma, mas, em dezembro, o contrato do Clube da Amizade com a Rede Nacional de Unidades de Cuidados Integrados não foi renovado.

A ARSLVT esclarece ao JN que a decisão se baseou na ausência de um plano de recuperação enviado pela empresa na sequência do processo de insolvência, bem como pela falta de funcionários. Rita Cristóvão critica a ARSLVT por não querer negociar o plano de recuperação e diz que teve que alertar para a falta de funcionários pela forma como a ARSLVT conduzia o processo.

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"Apresentámos um investidor que estava disposto a ser financiador da dívida e a ARSLVT não quis recebê-lo", afirma a proprietária. "Os doentes iam saindo a conta gotas desde o início do ano e ao avisar da falta de funcionários apressavam o processo", acrescenta.

Rita Cristóvão diz que "a mudança de Governo está na origem desta falta de renovação". A proprietária do lar entende estar perante uma situação injusta e aponta o dedo à enfermeira da ARSLVT que coordena a operação, bem como ao companheiro de uma doente que formulou uma queixa de violência doméstica contra a instituição. "A idosa fez queixa de violência doméstica contra nós, mas não saía do Clube nem o seu companheiro a retirava e hoje, quando saiu, este ameaçou que ia encerrar o espaço".

No processo de violência doméstica, investigado desde há dois anos pela GNR, Rita Cristóvão diz que já foram ouvidos 60 testemunhas, mas não há decisão. "Não percebo como as autoridades deixavam uma alegada vítima ficar em contacto com o suposto agressor, neste caso o lar, e não a retiraram daqui". A proprietária do Clube da Amizade acrescenta que muitos funcionários demitiram-se devido à conduta desrespeitosa que esta doente tinha com eles.

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