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Hospital de Setúbal

Demissão em bloco: 87 médicos ameaçam rutura de serviços

Demissão em bloco: 87 médicos ameaçam rutura de serviços

87 médicos com responsabilidades de direção, chefia e coordenação dos vários serviços do Hospital de São Bernardo, desde Urgência a Obstetrícia, apresentaram demissão e ameaçam agora a rutura dos serviços.

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, durante uma conferência de imprensa que se realizou, esta quarta-feira, na sede de Setúbal e onde foi anunciada a demissão dos 87 profissionais, entende que este pedido de demissão é um "grito de ajuda pelos profissionais que se têm multiplicado em horas extraordinárias para que os serviços continuem a funcionar".

"O Hospital de Setúbal vive a situação mais aguda no país em termos de falta de médicos e condições para trabalhar e o anúncio recente da contratação de dez novos médicos não chega", disse o bastonário, tomando as palavras de Pinto de Almeida, diretor do serviço de Ginecologia.

O diretor agora demissionário relatou na conferência que se os dez novos médicos fossem integrados no seu serviço, "ainda não ficaria completo". "O serviço só encerrou um dia por esforço dos que cá estão que são poucos". Nas suas palavras, o serviço devia ter 23 médicos, mas tem onze e em dois anos quatro saem para reformas.

Na semana passada, o diretor clínico Nuno Fachada apresentou a demissão por entender que não conseguia mais trabalhar em condições. "A minha demissão serviu para mostrar que todos os profissionais querem trabalhar com condições dignas para os utentes e ao longo dos anos via que nada era feito pela administração". O médico entende que as obras de ampliação do hospital, anunciadas há quatro anos, não devem receber novos serviços, mas ampliar os existentes.

Jorge Cortez, diretor do Serviço de Anestesiologia, aponta para a falta de material e médicos. "Quanto mais a medicina se atualiza, mais discrepantes nos tornamos porque não há qualquer investimento". Na Oncologia, António Meleiros, também demissionário, diz estar dependente de prestadores de serviço.

"No início de 2020, o serviço quase colapsou e os dois mil doentes não tinham médicos, hoje têm graças à boa vontade dos que cá ficam e dos contratados a empresas". Miguel Guimarães apela a novas medidas, como a contratação imediata dos médicos internos após o internato.

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