Setúbal

Estratégia para o turismo atrasada duas décadas

Estratégia para o turismo atrasada duas décadas

População e responsáveis pelo sector saúdam plano preliminar apresentado recentemente.

O Plano de Desenvolvimento Turístico do Concelho de Sesimbra, que está a ser elaborado, chega com cerca de 20 anos de atraso. A ideia é defendida pela população e pelos agentes económicos locais, que participaram na discussão pública do documento.

"É uma lufada de ar fresco. Não tem nada a ver com o que tem sido feito até agora em Sesimbra, que é muito mau em termos de turismo", frisa o sesimbrense Adelino Fortunato, classificando o rumo traçado de "demasiado optimista".

"Este plano chega atrasado uns 20 anos", refere, por sua vez, Paulo Caetano, estranhando, contudo, que não tenha sido feita qualquer referência ao impacto que as alterações climáticas podem vir a ter sobre o sector do turismo.

"Foi uma excelente ideia avançar com este plano estratégico", enaltece também o presidente do Clube Naval de Sesimbra, Lino Correia, contestando, porém, o facto de a instituição não ter sido consultada, apesar de ter uma lista de espera para lugares de acostagem na marinha.

Dizendo ser essencial definir primeiro que tipo de mercado náutico Sesimbra quer ter, Lino Correia salientou os prejuízos que a criação do Parque Marinho Luís Saldanha, no Parque Natural da Arrábida, trouxe para a actividade. "Notamos que há menos pessoas a praticar náutica de recreio em Sesimbra, porque se criaram restrições excessivas", denuncia.

A par do sol e mar, o turismo náutico é considerado um sector prioritário no plano preliminar elaborado pela empresa Augusto Mateus & Associados.

Singular na região de Lisboa

"Sesimbra tem condições excepcionais para o turismo náutico", realça o coordenador do plano, Gonçalo Caetano, salientando a necessidade de se diversificarem as ofertas existentes apostando também na gastronomia e vinhos e no turismo da natureza. "A ideia é Sesimbra tornar-se singular na região de Lisboa", afirma, acrescentando que "estar perto de Lisboa é uma vantagem".

A concretização faseada deste plano está dependente da melhoria das acessibilidades ao concelho, existindo já vários projectos. "A entrada de Sesimbra por Fernão Ferro é o pior cartaz para o turismo", defende o presidente da autarquia, Augusto Pólvora, reconhecendo que é preciso haver um acesso directo ao porto de Sesimbra que sirva as actividades ligadas à pesca e a náutica de recreio sem passar pelo interior da vila.

Aplaudindo a criação de mais acessos, a meia centena de pessoas que quis discutir o plano numa sessão pública, realizada há dias, criticou o empreendimento projectado para a Mata de Sesimbra por prever 19 mil camas.

Sobre este assunto, o edil sesimbrense tentou sossegar a população, frisando que o projecto será construído por fases e irá atrair pessoas com um poder de compra mais elevado que irão deixar riqueza no concelho, ao contrário dos milhares que visitam a vila só aos fins-de-semana e na época balnear.