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Javalis deixaram de ser vistos nas praias da Arrábida

Javalis deixaram de ser vistos nas praias da Arrábida

Colocação de depósitos de lixo enterrados junto aos areais tirou-lhes a comida que procuravam, levando os animais para as quintas agrícolas.

Desde o ano passado que não se avistam javalis nas praias da Serra da Arrábida à procura de comida. A flora local e única, que estava ameaçada pela presença dos animais, já está a renascer. O Clube da Arrábida e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) justificam a diminuição dos avistamentos de javalis pela colocação de caixotes de lixo enterrados, os "moloks", no areal da praia do Portinho da Arrábida, onde os animais eram vistos com maior frequência.

Estes equipamentos, colocados pela autarquia setubalense, fazem com que seja impossível aos javalis chegarem à comida e assim não têm alternativa senão a de procurar noutros locais.

Momentos como aquele que foi registado em 2017 na praia de Galapos e se tornou viral, onde uma família de javalis entrou dentro de água para se refrescar, não deverá acontecer tão cedo. Os animais permanecem ainda assim na zona norte da Arrábida, onde existem vinhas e quintas agrícolas (ver ficha). Aqui, são abatidos entre 400 a 600 animais por ano.

O Clube da Arrábida é responsável por realizar, com o ICNF, as chamadas ações de correção de densidade populacional de javalis na zona das praias da Arrábida, seja através da colocação de armadilhas ou da caça controlada. Estas ações ocorrem depois do verão, devido à menor afluência de pessoas às praias, mas há um ano que não se realizam.

Pedro Vieira, presidente do Clube da Arrábida, explica que estas "só acontecem quando há avistamentos ou indicação de prejuízos provocados pelos animais na zona e até ao início de 2020 eram frequentes". "Desde o verão passado, como não houve qualquer denúncia, não foi necessária qualquer ação de caça", confirma.

Ao JN, o ICNF diz que "a instalação de "moloks" na praia do Creiro e a recolha dos resíduos ao fim do dia, pela Câmara de Setúbal, nas restantes praias próximas da serra da Arrábida, a disponibilidade alimentar através de resíduos orgânicos resultantes do setor da restauração diminuiu ou é mesmo inexistente, resultando na redução da atratividade alimentar para a espécie".

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Renascer da flora

Para o responsável do Clube da Arrábida, os veraneantes estão mais seguros, uma vez que o javali, "mesmo mais habituado à presença humana, não deixa de ser um animal selvagem que pode investir se sentir as suas crias ameaçadas" (ver ficha).

Pedro Vieira já considerou que a presença dos javalis na Arrábida caminhava para um efeito praga, com o dizimar de plantas únicas da serra. Hoje diz que as flora está a renascer. O ICNF admite que a "presença de javali em locais de ocorrência de espécies endémicas ainda existe, mas com menor pressão" e tem em curso um plano de monitorização que, "entre objetivos mais amplos, pretende avaliar a evolução das populações de espécies florísticas ameaçadas, abrangendo a flora da Arrábida".

Propriedades

As propriedades agrícolas na zona norte da Serra da Arrábida, em Azeitão ou Palmela, têm sofrido prejuízos causados pelos javalis. O ICNF referiu ao JN que até agora foram 45 as propriedades que submeteram ao ICNF pedidos para ações de caça, de forma a corrigir a densidade populacional. Acrescenta que anualmente são abatidos entre 400 a 600 javalis nesta zona.

Cuidados

O ICNF aconselha que perante um javali, há cuidados a ter como não se aproximar, não procurar o contacto, e especialmente não dar comida. "É um animal que em algumas situações se pode revelar extremamente agressivo, em especial as fêmeas com crias que podem investir perante qualquer ameaça à sua prole, inclusive contra o ser humano", alerta o ICNF.

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