Ambiente

População junta-se contra dragagens no Sado

População junta-se contra dragagens no Sado

Cerca de mil pessoas protestaram ontem nas ruas de Setúbal contra as dragagens no Rio Sado, cujo arranque está previsto para este mês de outubro.

O protesto saiu da Doca dos Pescadores e rumou à sede da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, que esteve sob duras críticas na forma como organizou o processo. "Esta mobilização popular nunca antes vista na região fez com que a obra ainda não tivesse arrancado no ano passado, como era suposto", referiu David Nascimento, porta voz do movimento cívico SOS Sado que acredita que será a população uma arma forte contra o projeto. Numa primeira fase, é prevista a remoção de três mil milhões de metros cúbicos de areia no Sado.

David Nascimento criticou a APSS por mentir aos setubalenses sobre os danos que a obra vai causar ao Estuário do Sado. Por seu lado, Francisco Ferreira, da Zero, apontou para "um conivente atraso na classificação do Estuário do Sado como sítio de interesse comunitário para que esta obra avançasse", lamentou.

A população que se juntou ontem contra as dragagens considera que os golfinhos e toda a fauna existente no Estuário do Sado está em perigo, bem como a pesca tradicional, cujo local onde está prevista a deposição das areias é aquele com maior atividade piscatória, junto a Tróia. Consideram também que as praias da Arrábida sofrerão com o aumento das correntes e a consequente remoção de areia.

Raquel Gaspar, bióloga marinha que se dedica à preservação das pradarias marinhas, as maternidades do Estuário do Sado, não duvida que o "barulho da draga e a libertação de poluentes vão colocar em risco a sobrevivência das espécies que existem no Sado". "O previsto aumento das correntes com o aumento da profundidade do leito do rio vai ser altamente prejudiciais para os berçários estuarinos", concluiu.

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