Arcos de Valdevez

Unidos pelo amor e pelas pedras da calçada

Unidos pelo amor e pelas pedras da calçada

Paula e António Sousa trabalham juntos como calceteiros. Ela abraçou o ofício para sair do desemprego.

Desempregada, Paula Sousa, de 46 anos, decidiu há um ano, no início da pandemia, ir ajudar António, o marido, calceteiro, numa obra em Vieira do Minho (distrito de Braga), quando o seu colega teve um acidente de trabalho. A experiência correu bem. O patrão, a quem ela não se cansa de agradecer a oportunidade, gostou do seu trabalho e contratou-a. Hoje, o casal, que vive em Arcos de Valdevez, anda por todo o lado a assentar pedra. Paula não se vê a fazer outra coisa.

"Gosto de estar ao ar livre. Já andamos debaixo de neve e de chuva, mas gosto. Trabalhamos sempre os dois. Agora estamos juntos 24 horas", diz ela, sorridente.

Unidos pelo amor, estão juntos há 27 anos. Têm três filhos. Duas raparigas e um rapaz. No início, Paula era fria como as pedras com António. "Ele era conhecido dos meus irmãos, mas eu não o podia ver nem pintado. Um meu irmão dizia-me: quem desdenha quer comprar. Um dia ele deu-me boleia para a discoteca e pronto. Acho que já tinha de ser. Já fizemos as bodas de prata e hoje andamos a fazer calçada juntos. Quem diria, não?", diz ela, brincando: "Tenho dois patrões. Tenho o senhor Sebastião e tenho-o a ele".

António ri-se, enquanto enterra mais um cubo de granito num passeio da vila de Arcos de Valdevez. "Ela dizia que não gostava de mim, mas nestas coisas é sempre assim", comenta.

O ofício de calceteiro acompanha-o desde o tempo de solteiro, há mais de 30 anos. A mulher, que trabalhava num hotel a servir pequenos-almoços, antes de ficar desempregada, aprende agora com ele.

"No primeiro dia fui logo assentar "pavé" (calçada). Encarrilei. Ele só me punha as paletes, orientava e eu ia por ali abaixo. Acertava a terra e havia dias que punha 70 ou 80 metros. Aprendi logo. Agora, quando tenho dúvidas, pergunto-lhe".

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"Deram-me esta oportunidade e agarrei-a logo com as duas mãos. Fiquei muito contente. Muita gente fica espantada ao ver uma mulher a fazer calcete, mas é um trabalho como outro qualquer. É digno", sublinha.

O casal orgulha-se das suas obras. "Às vezes, ao domingo, saímos com as filhas para passear e elas gostam de ver o nosso trabalho. A pequena (14 anos) vê o antes e o depois, e fica admirada: ó mãe, como é que tu fizeste isto?"

Nomes: Paula e António Sousa>

Idade: 46 e 51 anos

Profissão: Calceteiros

Residência: Arcos de Valdevez

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