Pandemia

Panificadora de Caminha parou laboração e mandou 65 trabalhadores para casa

Panificadora de Caminha parou laboração e mandou 65 trabalhadores para casa

A maior panificadora do concelho de Caminha parou, esta semana, a laboração e distribuição de pão, fechou as suas 11 lojas e mandou para casa os seus 65 trabalhadores, alegadamente sem uma explicação quanto ao futuro.

Trata-se da Camipão, a maior empresa privada daquele concelho, que possui padarias em Caminha, Moledo, Seixas, Lanhelas, Vila Praia de Âncora e Vila Nova de Cerveira. O fornecimento de pão aos clientes da região estará já a ser garantido por outras panificadoras do Alto Minho, mas a incerteza quanto ao encerramento definitivo da panificadora estão a gerar preocupação. Esta quinta-feira, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda (BE) questionou o Governo sobre a situação, dando como certo o encerramento da empresa e o despedimento dos trabalhadores.

"A administração desta empresa, não só decidiu avançar para o despedimento de todos os trabalhadores sem qualquer aviso prévio, como ainda se recusa a passar a declaração de situação de desemprego aos trabalhadores, colocando assim em causa a sobrevivência destes e das suas famílias", refere o BE na pergunta dirigida ao Governo. "Este tipo de prática por parte da administração desta empresa revela uma crueldade para com os trabalhadores e desprezo para com os direitos laborais que é inaceitável numa sociedade do século XXI", defendem.

O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda questiona a tutela se está "disponível para analisar com a empresa, no quadro dos apoios extraordinários às empresas concedidos no contexto da pandemia, uma solução que permita a viabilização da empresa e a manutenção dos postos de trabalho". E também quais "medidas o Governo pretende adotar com caráter de urgência para que rapidamente estes trabalhadores tenham, no mínimo, acesso ao subsídio de desemprego ou outras medidas de proteção social consentâneas com a situação descrita".

O JN tentou contactar a administração da Camipão, mas tal não foi possível até ao momento.

A União de Sindicatos de Viana do Castelo (USVC) afirmou que "a empresa encerrou sem informar os trabalhadores sobre os salários e o futuro da empresa". E que a Camipão "deve parte do salário de janeiro e o salário por inteiro de fevereiro de 2020, os subsídios de Natal de 2019 e, a alguns trabalhadores, ainda deve subsídios de natal de 2018".

A USVC refere ainda que os 65 trabalhadores "estão numa situação muito difícil, porque ficaram sem emprego, sem salário e sem qualquer proteção social", pelo que alguns "estão a suspender os contratos de trabalho para obterem algum sustento para as suas famílias".

Segundo o autarca de Caminha, Miguel Alves, a empresa Camipão informou apenas a câmara municipal na terça-feira da suspensão da sua atividade no dia seguinte. "Oficialmente sei muito pouco, mas estou muito preocupado com a situação. A minha primeira preocupação foi que não parasse a distribuição de pão à população e instituições", disse, referindo que a própria autarquia era cliente da Camipão e teve de garantir o fornecimento através de outra empresa.

"Estamos a servir refeições a 70 famílias carenciadas no âmbito das medidas da pandemia de Covid-19 e precisamos de pão. Esta é a pior altura do Mundo para fechar uma padaria", afirmou, adiantando ainda que está a acompanhar a situação através de "um conjunto de trabalhadores".

"O que me dizem é que há salários e subsídio de natal em atraso, mas nenhum me disse que foi despedido. Ficaram com a indicação dada pelo presidente do Conselho de Administração que no dia 11 de abril haverá reunião de sócios para definir o futuro da empresa", declarou Miguel Alves. "Não tenho nenhuma indicação de que isto seja um despedimento e que a fábrica esteja a encerrar", concluiu.

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