Caminha

Recuperação da duna de Moledo só avança depois da época balnear

Recuperação da duna de Moledo só avança depois da época balnear

A Administração da Região Hidrográfica do Norte anunciou que a recuperação da duna de Moledo, em Caminha, inicialmente prevista para o primeiro trimestre deste ano, só avançará "depois da época balnear".

Face ao atraso no início da intervenção, a Câmara de Caminha chegou a admitir "preocupação" com a possibilidade de a recuperação da duna de Moledo avançar durante a época de praia, pelas consequências que isso representaria para aquela atividade.

"Segundo as nossas estimativas, ultrapassada a fase mais administrativa da candidatura, os trabalhos deverão iniciar no final da época balnear 2012, ou seja, não coincidirá com a época de maior frequência do areal, nem colocará em causa a prática balnear", garantiu fonte da Administração da Região Hidrográfica do Norte (ARHN), esta terça-feira, à agência Lusa.

A intervenção, que custará cerca de 500 mil euros, já tem o aval do Ministério do Ambiente, mas está dependente da abertura das candidaturas do Programa Operacional de Valorização do Território (POVT) para poder submeter o projeto de Moledo.

"Desta verba, 15% será financiada através de fundos nacionais, que estão já assegurados, sendo que os restantes 85% serão financiados através do POVT", sublinhou a mesma fonte.

A zona de Moledo é um das mais procuradas do norte do país na época balnear e a "recuperação duradoura" da duna deverá prolongar-se durante mais de dois meses, envolvendo métodos inovadores para "mitigar o impacto paisagístico", indicou a ARHN.

A redução do cordão dunar acontece praticamente em frente ao Forte da Ínsua, alguns metros a norte do local aonde em fevereiro de 2011 uma situação semelhante ameaçou um moinho convertido em habitação.

A água esteve perto de outras habitações, além de ter destruído um guarda-corpos do paredão em cerca de trinta metros.

A intervenção, cujo projeto é da autoria do especialista Veloso Gomes, prevê "três ações diferentes, mas complementares", a começar pelo "tamponamento do topo da estrutura da defesa", com a colocação de betão ciclópico na extremidade norte da estrutura aderente construída nos anos 40 do século 20.

Será realizada, ainda, a reconstituição da duna, "dotando-a de um núcleo artificial resistente", uma ação descrita como "inovadora" e que consiste na "colocação de tubos de geotêxtil de grande dimensão", entre os três e os sete metros, de cor amarela ou ocre, preenchidos com areia e capazes de reter o material sedimentar.

"Serão colocados perto da arriba ao longo de cerca de 330 metros e deverão ser cobertos de areia, de forma a mitigar os impactes paisagísticos", acrescentou a ARHN.

Prevê também a deposição de areia entre a zona entre-marés e o cordão dunar, "reconstituindo um perfil próximo do anteriormente existente".