Caminha

Um total de 900 quilos de solha seca para três dias de festa em Lanhelas

Um total de 900 quilos de solha seca para três dias de festa em Lanhelas

Cerca de novecentos quilos de solha seca foram preparados para serem servidos na festa da Senhora da Saúde e Santa Rita de Cássia, tradicionalmente conhecida por Festa das Solhas, que se vive este fim de semana na freguesia de Lanhelas, em Caminha.

O evento centenário, que decorre no Jardim de S. Gregório, é marcado pela sua forte componente gastronómica, associada à solha do rio Minho. O peixe vai ao fumeiro para depois ser frito em azeite, e ser servido regado de novo com azeite quente e alho. Acompanha apenas com broa ou pão, conforme o gosto.

Face à grande procura do petisco, este ano os mordomos da festa, tradicionalmente homens casados da freguesia, quiseram salvaguardar-se para a eventualidade deste esgotar. "Temos muito perto dos 900 quilos de solhas para servir durante os três dias, sexta-feira, sábado e domingo. No ano passado no sábado à noite já não havia. Acabaram. Assim está garantido que há sempre solha, nem que venham dez batalhões", disse ao Jornal de Notícias, Bruno Purificação, que faz parte da mordomia pelo segundo ano. Acrescentou que já ontem à noite, "foram servidas 800 solhas secas", além de "80 frescas e dois porcos no espeto". Na festa de Lanhelas, a solha é servida seca ou fresca também, embora com muito menos procura.

A tradicional é a que resulta de "um processo longo de preparação. "A solha é aberta, retirada a tripa, limpa e vai ao sal 24 horas. Depois é demolhada outras 24 horas e vai ao fumo um dia e meio. E antes de ser frita em azeite, tem de ser demolhada outra vez", explica Bruno Purificação, referindo: "É um petisco muito procurado. Vem gente de todo o lado. Quase de certeza que as que temos preparadas vão todas". E acrescenta: "Esta solha é o motivo forte da festa. Tem aquele sabor como a carne de caça, intenso, que nem todos gostam, mas provando muita gente vai gostar. E quem gosta fica apaixonado e volta".

O arroz doce é outra das tradições gastronómicas da romaria de Lanhelas, que se realiza no primeiro fim de semana de setembro. "A quantidade que fazemos é uma barbaridade. Estamos das 8.00 horas à meia-noite, a fazer arroz doce", comenta o mordomo.

A festa popular, que se realiza há mais de 100 anos, é animada por conjuntos, bandas de música e fogo de artificio, e tem também uma componente religiosa. Termina este domingo.