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Fronteira do Minho celebra fim do "muro de Berlim" e exige "medidas compensatórias"

Fronteira do Minho celebra fim do "muro de Berlim" e exige "medidas compensatórias"

Os municípios das zonas ribeirinhas portuguesa e galega do Minho assinalaram esta segunda-feira a reabertura condicionada das fronteiras com um momento marcado pela celebração do que dizem ser o fim "do muro de Berlim", mas também pela exigência de "medidas compensatórias" às empresas e trabalhadores transfronteiriços.

Num dia em que no Alto Minho reabriram três pontos de passagem (Melgaço-Arbo, Monção-Salvaterra e Vila Nova de Cerveira-Tomiño), com postos de controlo das 7 às 21 horas, além do de Valença-Tui, que esteve ativo desde 16 de março, os autarcas dos dois lados voltaram a juntar-se. Desta vez sobre a ponte Melgaço-Arbo, onde até às 11.45 horas, segundo informação do SEF no local, "tinham passado 120 pessoas e 16 tinha sido impedidas de passar a fronteira porque não comprovaram o que vinham fazer a território nacional". Segundo dados divulgados esta segunda-feira pelo presidente do Agrupamento Europeu Cooperação Territorial (AECT) do Rio Minho, Uxío Benitez, existem na região "cerca de seis mil trabalhadores transfronteiriços".

"Os presidentes de câmara e alcaldes conseguiram que dois governos se pusessem de acordo para esta decisão que vai trazer um alívio económico a muitas famílias de trabalhadores transfronteiriços. Para nós é uma grande vitória, mas queremos dizer que isto não soluciona todos os problemas", declarou aquele responsável, referindo que para precaver situações futuras, como a que se viveu com o fecho das fronteiras devido à pandemia de covid-19, serão necessárias novas medidas.

Uma delas seria "um cartão que identifique a todas as pessoas que vivem no território". E que, por outro lado, a fronteira seja compensada das perdas que sofreu durante o encerramento. "Instamos as autoridades regionais, nacionais e europeias a que instruam os procedimentos económicos compensatórios necessários para que se compense este território por ter tido as fronteiras fechadas", apelou Uxío Benitez. "Impediram-nos de nos relacionarmos comercial e economicamente com os nossos vizinhos do lado", acrescentou.

"Pedimos a criação de uma figura que é o Investimento Territorial Integrado (ITI). Pedimos que no próximo Quadro Comunitário 2021-2027 se faça um investimento focado no território do rio Minho". "Não se pode permitir que a fronteira mais dinâmica, social e economicamente, esteja asfixiada durante todos estes meses, como esteve, com o «muro de Berlim» que nos puseram".

Esta segunda-feira, António Barbosa, autarca de Monção, que já tinha registado a passagem de "150 pessoas" na ponte que liga a Salvaterra, chamou a atenção para o facto do horário dos postos de controlo fronteiriço ser desfasado em relação às horas de início de atividade das fábricas nas duas margens do Minho. "As fábricas em Espanha começam a trabalhar às 8 horas em Espanha, 7 horas em Portugal. Ora este horário a começar às 7 horas de Portugal não resolve nada", disse. "Houve este lapso que não se compreende e que deixa de fora grande parte das pessoas que trabalham nessa fábricas espanholas. Há pessoas que tiveram de continuar a ir por Tui", concluiu.

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