Monção

Cordeiro sem "foda" a caminho da certificação

Cordeiro sem "foda" a caminho da certificação

José Emílio moreira, presidente da Câmara de Monção quis, à viva força, que o prato típico da terra, a foda, fosse certificada tal e qual é conhecido o cabrito assado no forno da terra. O processo começou há mais de dois anos e foi difícil convencer o autarca de que a lei não é suscetível a tradições e que, como tal, a "foda" teria de cair caso quisesse continuar com o processo.

Venceu o braço mais forte da lei. Ana Paula Vale, vice--presidente da Escola Agrária de Ponte de Lima é, também, a responsável pelo trabalho de investigação e certificação. "O nome do prato pode manter-se nas ementas dos restaurantes e continuar a ser conhecido localmente desse modo, mas a Lei não permite nomes obscenos, logo, tivemos de encontrar um termo que não ferisse suscetibilidades", explicou. Assim, "e porque não se trata de anho e nem é muito bem cabrito", tomou o nome de cordeiro "até pela sua ligação à Páscoa", prosseguiu.

A origem do nome não é consensual. Há quem conte que alguns criadores cobriam a forragem de sal para os animais encherem a barriga de água e, no dia de feira, parecerem gordos. Quem não conhecia a tramoia e comprava os bichos dizia dias depois: "Mais uma foda!". Outra corrente diz que, empanturrados de cabrito, alguns maridos diriam à mulher que o prato seria melhor que a dita.

Com a nova denominação, Ana Paula Vale diz que o processo para a certificação do cordeiro como Especialidade Tradicional Garantida "está a correr bem" embora ainda não haja data para a sua consumação.

Vinha-d'alhos

Segundo João Santos, antigo cozinheiro de Monção que ajudou no processo de certificação do prato, o animal tem de ser temperado de véspera com sal, pimenta, vinagre e alho. Enquanto repousa nesta vinha-d'alhos, faz-se uma calda com salpicão, galinha, carne de vaca e presunto, temperada com sal, pimenta e açafrão.

Por esta altura, "mete-se o arroz no alguidar de barro e põe-se o carneiro por cima e vai a assar em forno de lenha", explica o antigo dono da casa Matraquilhos, cozinheiro durante 60 dos seus 73 anos de vida.

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Capão de Freamunde

Há dois anos, o capão de Freamunde foi certificado como Indicação Geográfica Protegida. Um processo liderado pela ESA.

Bolo do tacho e broa

Paredes de Coura viu aprovada a candidatura ao PRODER para certificar o bolo do tacho, os biscoitos de milho e broa de milho.

Arroz de sarrabulho

É um trabalho que a ESA e a Câmara de Ponte de Lima têm há anos: certificar o sarrabulho como Especialidade Tradicional Garantida.

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