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História "rouba" título à vila

História "rouba" título à vila

Há historiadores que garantem que, apesar de ostentar o título, Ponte de Lima não é a vila mais antiga de Portugal, mas S. João da Pesqueira. O assunto tem sido intensamente debatido em jornais locais e em blogues na net.

Reza a história que em 4 de Março de 1125, Ponte de Lima recebe o primeiro foral, de D. Teresa, viúva do Conde D. Henrique. Em 1217, D. Afonso II, em Guimarães, confirma o foral e aumenta-lhe os privilégios. Posteriormente, em Lisboa, D. Manuel dá-lhe novo foral, no dia 1º de Junho de 1511. A autarquia limiana assumiu a data, promovendo Ponte de Lima como a vila mais antiga de Portugal.

Já S. João da Pesqueira recebeu o primeiro foral durante o reinado de Fernando "O Magno", entre 1055 e 1065, durante a Reconquista. "É o mais antigo de Portugal", confirmou Amândio Barros, investigador da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Ressalvou, porém, que tal só pode ser asseverado dessa forma se forem tidos em conta todos os forais atribuídos a territórios que viriam a fazer parte de Portugal. Outra razão poderá assistir a Ponte de Lima se a análise tiver como ponto de partida os forais concedidos por governantes portugueses, como D. Teresa (mãe de D. Afonso Henriques) no então Condado Portucalense, tendo-se mesmo intitulado de rainha, em 1121.

A verdade é que D. Afonso Henriques viria, ainda Infante, em 1110, a confirmar o foral outorgado por Fernando "O Magno" a S. João da Pesqueira, o que leva Amândio Barros a acreditar que exista alguma "dificuldade" em apurar qual é de facto a vila mais antiga do país. A única coisa segura é que a Pesqueira "tem a carta de foral mais antiga". O título "orgulha os pesqueirenses", diz o presidente da Câmara, António Lima Costa (na Câmara de Ponte de Lima ninguém comentou), que encomendou a Amândio Barros uma compilação dos forais da vila. Nesse estudo ficou claro que "o primeiro foral de que há memória, comprovado cientificamente, foi o de S. João da Pesqueira independentemente de ser antes ou após a Nacionalidade".

Tito Morais, que há 30 anos se dedica ao estudo da história limiana, afirma que "determinados atributos têm de ser fundamentados e compete a quem o definiu ter a fundamentação", considerando que se estará perante a "utilização de um slogan turístico".

Por se turno, o padre Dias, com cinco décadas dedicados ao estudo da história limiana, considera que "é um caso de excesso de boa vontade em se promover o concelho e algum bairrismo". "Está na moda ser-se berço de alguma coisa como se as terras precisassem disso", disse o pároco.

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