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Exposição

Arte e património andam de mãos dadas na Lethes Art de Ponte de Lima

Arte e património andam de mãos dadas na Lethes Art de Ponte de Lima

Uma tela frágil com a imagem forte de Frida Kahlo exposta no altar da igreja do Museu dos Terceiros em Ponte de Lima cativa rapidamente a atenção de quem visita aquele local, um dos oito por onde a Lethes Art está espalhada na vila.

A Lethes Art de Ponte de Lima é uma exposição de arte contemporânea que procura potenciar a comunicação entre obras de arte e património histórico. Esta mostra artística, que decorre até 30 de setembro com a participação de 120 artistas e mais de 200 obras, começou em 2017 a dar os primeiros passos e já evidencia potencial na conjugação de arte, história e turismo. Quem percorre a mostra rapidamente encontra ligações entre o tema escolhido - Cartografia de Culturas - e o seu enquadramento no espaço. É nos locais mais inusitados que a arte ganha outra força e significado, como no altar da Capela das Pereiras onde está uma instalação de Ulla Karttunen, artista finlandesa repetente na mostra, que desafia a contingência religiosa do local.

Uma escultura de um galo com peças feitas por alunos de ourivesaria, a descoberta de um poema de Mário Cesariny numa pintura feita com pigmentos inteligentes, uma instalação de mail art especialmente dedicada a Ponte de Lima por um artista peruano instalado na Dinamarca ou outra do artista plástico polaco Piotr Pandyra que obriga o espectador a usar uma lupa para encontrar referências ao Pequeno Príncipe de Exupéry enchem a vista e a mente do visitante que precisa de várias horas para percorrer a exposição e mergulhar na história de Ponte de Lima durante o percurso.

Em duas edições, a Lethes Art já conseguiu que alguns dos artistas façam obras de propósito para a exposição, que este ano reduziu o número de locais por onde está espalhada. Essa redução obrigou a uma seleção mais apertada por parte da curadora e o resultado ficou demonstrado numa maior qualidade manifestada nas mais diversas expressões artísticas. Esta mostra é o espaço para os novos artistas e, apesar da imensa participação de estrangeiros, nota-se que os portugueses, com destaque para os do Alto Minho por serem da "casa", encaram a Lethes Art como marca do seu percurso. E é um certame inclusivo. Nas paredes da biblioteca municipal ou do Museu dos Terceiros vêem-se pinturas de utentes da APPACDM, o que denota também a integração total entre os artistas.

À saída do Museu dos Terceiros, "esbarra-se" numa das novidades desta edição: a homenagem ao mestre José Rodrigues através da sua escultura Senhora do Ó. Já na Torre da Cadeia Velha, que é também o posto de turismo, são as pinturas em pano cru de António Cunha, o artista convidado da mostra, que obrigam a uma atenção redobrada no centro da sala.

O crescimento da Lethes Art já é visível com a realização de atividades ao longo do ano enquadradas no projeto "Lethes on the move". Por outro lado, a página oficial bilingue da exposição na internet é um espaço privilegiado de comunicação para os artistas e público, havendo até uma secção que permite aos artistas entrevistarem outros artistas.

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