Ponte de Lima

Cortejo etnográfico das Feiras Novas mostrou a magia, paixão e alegria de ser limiano

Cortejo etnográfico das Feiras Novas mostrou a magia, paixão e alegria de ser limiano

As Feiras Novas de Ponte Lima viveram este sábado um dos momentos mais marcantes da festa com o cortejo etnográfico, no qual participaram 28 das 39 freguesias do concelho.

Durante mais de três horas, milhares de pessoas puderam assistir ao desfile das mais típicas tradições de Ponte de Lima num momento que se assume como a exaltação do orgulho limiano.

A pesca da lampreia no rio Lima, o Samiguel de Cabaços, a Romaria de Santa Justa, os ferreiros, as furnas de carvão, o linho, a recolha do leite e a matança do porco foram alguns dos 28 quadros temáticos que compuseram o cortejo.

Várias horas antes do início do desfile já havia festa rija pelas ruas da vila. Na central de camionagem, um grupo com 30 pessoas de Cucujães abancou para almoçar e começou a tocar concertina e a dançar. "Representamos uma escola de concertinas fundada há doze anos e há sete que vimos às Feiras Novas. O ponto de encontro é na central de camionagem, começamos aqui a festa e daqui seguimos para a romaria", explicou António Neves, porta-voz do grupo.

E a festa já pulsava junto às escolas onde se começa a formar o cortejo. Trajados a rigor, centenas de figurantes organizavam-se junto aos carros para cumprir o epílogo de várias semanas de trabalho, a maior parte do qual feito por carolice de quem espera um ano inteiro por esta festa. De Arcozelo veio uma comitiva com 24 pessoas representar a pesca da lampreia e o trabalho artístico na pedra. "Esperamos um ano para esta explosão de alegria e cor", assegurou Susana Luciano, uma das figurantes de Arcozelo.

Ana Machado, presidente da Associação Concelhia das Feiras Novas, salientou o envolvimento das freguesias no cortejo e considerou-o como "a maior manifestação de cultura popular e tradição" da festa.

As Feiras Novas começaram na quarta-feira prolongam-se até à próxima segunda-feira e, para a responsável, o feedback até agora está a ser "muito positivo". "Este está a ser mais um ano de sucesso e achamos que foi conservado o mais importante em termos de limianismo, tradição e de bem-receber", afirmou Ana Machado.

O cortejo etnográfico das Feiras Novas foi presidido pelo ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, que evidenciou as tradições limianas no contexto da diversidade cultural do país. "O turismo da Ribeira Lima sempre foi de grande qualidade que se afirma com manifestações como esta", considerou o ministro, admitindo que também tem raízes minhotas. "Vim várias vezes às Feiras Novas quando era novo, não como ministro e não à tarde. Era mais à noite, quando andava na faculdade", acrescentou, entre risos.

O presidente da Câmara de Ponte de Lima, Victor Mendes, considerou que a "valorização do mundo rural é fundamental para o desenvolvimento sustentável do concelho", designadamente do ponto de vista turístico.

Ao longo do desfile não faltou o que comer e beber e foram muitas as gargalhadas que se ouviram à passagem de determinadas encenações. "As Feiras Novas são magia, paixão, amor e alegria. Viva esta romaria", disse Laurinda Cunha, uma limiana do rancho de S. Martinho da Gandra antes do início do cortejo, vincando um sentimento que é comum à população de Ponte de Lima durante estes dias.

No domingo, a programação tem como pontos altos o cortejo histórico e a tourada. A segunda-feira é dedicada às cerimónias religiosas dedicadas à Senhora das Dores.

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