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Rio Lima renovou força da Vaca das Cordas

Rio Lima renovou força da Vaca das Cordas

O touro com mais de 450 quilos que andou esta quarta-feira na corrida da Vaca das Cordas em Ponte de Lima renovou na água do rio Lima a força para dar um espetáculo que incluiu muitas marradas no areal da vila.

Pelas 18.53 horas estouraram os foguetes que anunciavam o início da corrida na rua do Arrabalde. O touro foi trazido até à Igreja Matriz onde lhe foi dado um banho de vinho para gáudio das centenas de pessoas que acompanhavam a corrida. Em vez das três voltas à igreja como manda a tradição, o touro deu apenas duas e foi em direção ao Largo de Camões, antes de chegar ao areal.

Pelo caminho, o animal foi mostrando bravura, dando marradas, e no areal não foi exceção. Viram-se muitos populares afoitos levar cornadas e cair inanimados no chão. Com o passar do tempo, o touro foi acusando o cansaço e acabou por matar a sede no rio Lima, onde entrou por mais do que uma vez e de onde saiu, aparentemente, com as forças renovadas que o levaram a dar novas marradas ao público.

De acordo com fonte dos Bombeiros de Ponte de Lima, registaram-se sete ocorrências relacionadas com trauma e uma com doença súbita durante a corrida.

Cerca de uma hora e meia depois da largada do touro, a corrida foi concluída quando já era ainda mais visível a exaustão do animal que se deitou algumas vezes no areal.

A organização da Vaca das Cordas prestou, este ano, homenagem a Alcino Dantas, homem que segurou muitos anos nas cordas e um dos grandes impulsionadores da tradição na vila depois de ter sido retomada há mais de 60 anos, falecido recentemente.

Paulo Barreira há cerca de 15 anos que segura nas cordas e explica que a sua paixão pela Vaca das Cordas começou por intermédio amigos e familiares. "Tenho primos e tios que sempre andaram nisto e o segredo para segurar nas cordas é ter gosto por esta tradição", disse Paulo que já apanhou muitos sustos na corrida. O pior aconteceu em 2000 quando o touro lhe deu uma cornada que o deixou de cama dois dias. A maior dificuldade que os cerca de dez homens que seguram nas cordas enfrentam na corrida é "controlar o público", disse Guilherme Correia, outro homem das cordas.

"Nós protegemos o animal com as cordas. O touro aqui apenas corre. As pessoas que criticam que venham cá e vejam se o touro sofre. O touro é como se fosse um filho nosso que levamos pela mão", frisou Paulo.

Durante o dia, centenas de crianças visitaram o local onde o touro aguardou o início da corrida na Expolima e fizeram atividades nas aulas relacionadas com a tradição.

Minutos antes da corrida, eram muitos os curiosos que circulavam pelas ruas a falar da tradição. O JN cruzou-se com um grupo de turistas da Catalunha, Espanha, que se mostrava surpreendido com a azáfama. Quando lhe explicaram em que consistia a tradição, os turistas acreditavam que era algo perigoso e quiseram logo fugir. "Somos de um país onde se gosta muito deste tipo de coisas, mas na Catalunha essa tradição não existe nem gostamos de matar os touros", explicaram.

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