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Vaca das Cordas mostrou a sua raça no areal de Ponte de Lima

Vaca das Cordas mostrou a sua raça no areal de Ponte de Lima

Começou a corrida apático, mas depressa mostrou que veio de Montemor-o-Velho para dar o espetáculo que milhares de pessoas queriam ver. O touro que fez a tradicional corrida das Vaca das Cordas de Ponte de Lima esperou para chegar ao areal da vila para mostrar a sua raça, no final da tarde desta quarta-feira.

Os Bombeiros de Ponte de Lima não tiveram mãos a medir com tantos pedidos de socorro, tal foi o número de cornadas que o touro deu. A fúria foi tanta que houve quem tivesse que se atirar ao rio para fugir. De acordo com o Comando Distrital de Operações de Socorro, houve o registo de pelo menos sete ocorrências de traumatismos durante o período da corrida.

A meio da tarde, começaram a chegar as primeiras pessoas para guardar o melhor lugar na ponte medieval. Foi o caso de Márcia Rodrigues, 17 anos, que veio de Vila Verde com familiares para ver a Vaca das Cordas pelo segundo ano consecutivo. Escolheram a ponte medieval para ver o espetáculo por "ser mais seguro". A mãe, Lurdes Dias, assumia que se diverte a ver "o touro da dar marradas".

Mesmo no início da ponte, estava um galego de Pontevedra expectante por descobrir o que significa a Vaca das Cordas. Numa visita ao posto de turismo de Ponte de Lima, José Guerrero ficou a saber da corrida e decidiu vir sozinho ver o espectáculo. "Em Allariz há uma corrida semelhante, também por altura do Corpo de Deus e agora quero ver como é esta que me parece muito animada", disse.

Devido ao calor, a organização, a cargo da Associação dos Amigos da Vaca das Cordas, adiou o início da corrida para depois das 19h. O relógio da Igreja Matriz marcava 19h15 quando estouraram os foguetes que anunciaram o início da largada. Este ano, o touro não saiu da Casa d"Aurora, como acontecia há vários anos. Foi levado para a Expolima e na hora da corrida saiu de um camião no Arrabalde.

Manda a tradição que o animal tem de ser encaminhado para a Igreja Matriz, à volta da qual deve dar três voltas. Empoleirado numa oliveira junto à igreja, Alexandre Macedo contava com orgulho que já há cinco anos que assiste à Vaca das Cordas naquele lugar privilegiado. "Aqui é mais seguro para ver bem o baptismo", explicava, momentos antes da chegada do touro. O baptismo que Alexandre falava é o banho de vinho tinto "especial" que é dado ao touro, depois de preso à janela da igreja.

António Lopes, mais conhecido por "Tone Múrias", é o homem que dá esse banho ao touro. Começou com 16 anos a agarrar nas cordas e hoje com 55 é uma das pessoas mais apaixonadas pela tradição da Vaca das Cordas. "Este é o maior dia do ano, para mim e para toda a minha família", garante "Tone Múrias", que tem nos netos a certeza da continuidade na afeição. "O touro é como as mulheres: tem que se ter respeito", disse, gerando uma gargalhada geral entre os homens que o ouviam. Quando vira o vinho pelo lombo do touro, "Múrias" diz-lhe: "Tem calma. A vida é assim mesmo".

O touro acabou por não dar três voltas à Igreja. Deu uma volta e foi levado para o areal onde foi rei e senhor. Se era cornadas que os mais afoitos queriam, foi isso que o touro lhes deu e algumas bem intensas. A corrida no areal demorou mais de uma hora.

A noite é de festa até altas horas, principalmente pela zona dos bares da vila de Ponte de Lima. Milhares de pessoas amontoam-se num ambiente de folia que há muito marca o calendário festivo da vila. A partir da meia-noite, pelas ruas do centro histórico são feitos os tapetes do Corpo de Deus com serrim pintado, fornecido pela Câmara Municipal, para a festa religiosa que se realiza esta quinta-feira.

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