Protesto

Marcha lenta contra fábrica "entupiu" Ponte de Lima

Marcha lenta contra fábrica "entupiu" Ponte de Lima

"Arcozelo está de luto. Arcozelo está em luta". Esta foi a mensagem dominante da marcha lenta que juntou mais de cem carros, na manhã deste domingo, em Ponte de Lima, contra a construção de uma central de betuminoso na freguesia de Arcozelo.

Com bandeiras pretas nos carros, a população da freguesia juntou-se no protesto que começou em Arcozelo, atravessou a ponte e "invadiu" a vila de Ponte de Lima, causando o congestionamento do trânsito, durante mais de uma hora, perante os olhares curiosos de centenas de pessoas.

"Associamo-nos a esta marcha porque querem construir uma central que vai prejudicar o nosso meio ambiente, logo no centro da freguesia, onde possivelmente vai acumular todos os impactos poluentes", explicou João Lima, morador de Arcozelo que participou na marcha com a mulher. "A central até pode trazer algum emprego, mas vai ter muito impacto ambiental", acredita.

"Queremos mostrar o nosso descontentamento ao senhor presidente da Câmara e da Junta de Freguesia que têm sido completamente coniventes com a instalação da central e mostrar que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para conseguir o encerramento da fábrica", afirmou Pedro Ligeiro, membro da comissão popular que foi formada para contestar a instalação da central de betuminoso em Arcozelo.

Esta comissão já apresentou uma queixa no Ministério Público para que seja averiguado o processo de instalação da fábrica e o papel da Câmara no mesmo. Na calha, está também a ser preparada uma providência cautelar que trave as obras e existe um abaixo-assinado com cerca de duas mil assinaturas contra a fábrica.

"No nosso entender, a empresa está a construir a central sem as licenças devidas e isso não pode acontecer, porque nenhum de nós pode construir em Ponte de Lima sem as licenças municipais", denunciou Pedro Ligeiro. Em causa está o embargo municipal às obras que, ao que tudo indica, não está a ser cumprido, uma vez que as obras na central continuam.

Para a Câmara e da Junta de Freguesia, está a existir "um aproveitamento político-partidário" desta situação e reiteram que o tipo da indústria que está a ser instalada é "não poluente", comparando-a com uma panificadora ou carpintaria.

"Além da central ser poluente, está a existir um desrespeito perante o povo português com uma obra que está a ser feita, mesmo estando embargada, é gozar com o povo português", considerou Maria Pereira, moradora de Arcozelo que também participou na marcha lenta.

"Este atentado à freguesia de Arcozelo conseguiu congregar toda a gente à volta do movimento de rejeição total desta central. Não há aqui política partidária, há sim defesa dos direitos e interesses da população de Arcozelo", acrescentou Alípio de Matos, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima e reconhecido membro do PSD de Ponte de Lima. "Querem matar Arcozelo, transformando-a num cemitério e não podemos permitir isso", vincou.