Fronteira

Explosão em Tui faz um morto e 26 feridos. Uma pessoa foi detida

Explosão em Tui faz um morto e 26 feridos. Uma pessoa foi detida

Um morto e 26 feridos é o balanço provisório da explosão, esta quarta-feira à tarde, de um armazém de material pirotécnico em Guillarei, Tui (na Galiza), junto à fronteira de Valença. Cerca de 20 habitações ficaram destruídas total ou parcialmente. Até ao momento, há um desaparecido e uma pessoa detida.

Ao JN, o alcaide de Tui, Carlos Padín, confirmou que, até ao momento, só há registo de uma vítima mortal - uma mulher - e de 26 feridos hospitalizados em instituições de Tui e Vigo, mas não descartou a existência de outras vítimas, já que os trabalhos de remoção dos escombros ainda não terminaram.

Ao início da noite, a preocupação das autoridades era dar apoio aos desalojados, que estão a ser reunidos no Centro Cultural da localidade de Guillarei. Oito casas foram totalmente destruídas pela explosão, explicou.

"Estou muito afetado. É muito duro ver desaparecer oito casas", confessou o autarca, que revelou não saber que aquele local era um depósito de material pirotécnico.

Por seu lado, Santiago Villanueva, delegado do Governo de Espanha na Galiza, revelou que ainda há uma pessoa desaparecida e que o dono de uma empresa de pirotecnia legal foi detido por homicídio, por ter armazenado material explosivo no anexo de uma moradia. O político apelou ainda à população que denuncie outros armazéns não licenciados deste tipo de material.

No que respeita ao balanço da destruição, Santiago Villanueva afirma que serão "12 ou 13" as casas completamente destruídas pela violência da explosão.

Portugueses ajudam nos trabalhos de socorro

O Comandante dos Bombeiros Voluntários de Valença, Miguel Lourenço, que se encontra no local, revelou durante a tarde que a corporação portuguesa foi deslocada "em peso" para o local, após ter recebido um alerta pelas 15.40 horas, devido à dimensão da explosão.

"Estamos em Guillarei. Foi uma explosão numa pirotecnia. Há umas 10 a 15 habitações totalmente destruídas. A pirotecnia era clandestina e estamos a proceder a buscas", declarou o comandante.

Segundo aquele responsável, a zona, onde se encontra uma brigada de explosivos, foi "evacuada, por se suspeitar que existe material pirotécnico que ainda não explodiu".

De acordo com o Comandante Miguel Lourenço, durante a tarde participaram na operação de socorro cinco meios aéreos espanhóis a atuar nas áreas de emergência de saúde e combate a incêndios.

"Há casas a arder e o fogo passou também já para uma zona florestal", declarou, referindo que, além dos bombeiros de Valença, encontram-se no local corporações de vários pontos da Galiza, designadamente, Vigo, Porriño e Cangas.

Segundo o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Viana do Castelo, estão no local 12 operacionais com cinco viaturas dos Bombeiros de Valença.

Explosão foi sentida num raio de 10 km do lado português

O presidente da Câmara de Valença, Jorge Mendes, afirma que a explosão desta tarde num armazém clandestino de material pirotécnico em Guillarei, Tui (Espanha), "foi sentida num raio de dez quilómetros", provocando estragos em vários edifícios do lado português.

Segundo o autarca, em Ganfei, freguesia na margem oposta do rio Minho, em frente ao local da ocorrência, "a onda de choque arrancou a porta da escola primária".

"Os miúdos estavam a tomar o leite e assustaram-se. Gerou-se o pânico. Numa zona comercial, os tetos falsos levantaram todos e os vidros do edifício da antiga alfândega, situado a quatro quilómetros, partiram-se. A explosão sentiu-se na cidade e arredores, e até no concelho vizinho de Monção que fica a 10 quilómetros", declarou Jorge Mendes, que afirma ter sentido o forte abalo.

"Senti a explosão e julguei que era numa pedreira, mas depois olhei e vi do outro lado em Espanha um 'cogumelo' de fumo. Pensei logo na fábrica de pirotecnia, mas, afinal, foi num armazém de material pirotécnico lá perto, que ninguém sabia que existia", descreveu, referindo ter recebido do alcalde de Tui um pedido para que fossem enviados meios para a zona da explosão.

Jorge Mendes referiu que, segundo o seu colega galego, Carlos Padín, há, pelo menos, uma pessoa desaparecida e "muito estrago" nas habitações ao redor. Na zona onde existe uma fábrica de pirotecnia, que "se encontra legal", passa também um gasoduto.