Caminhos de Santiago vazios de peregrinos

Caminhos de Santiago vazios de peregrinos

Compostela comemora este sábado o santo, mas há muito menos pessoas a percorrer o caminho português. Maioria dos albergues ainda não abriu.

Este sábado comemora-se o Dia de Santiago mas, por efeito da pandemia, os caminhos que vão dar à catedral em Compostela "estão vazios". Segundo o site da Oficina do Peregrino, que atribui a credencial a quem completa a peregrinação, ontem de manhã tinham chegado ao destino 435 peregrinos. Em 2019 fizeram o caminho um total de 347 578 peregrinos.

"No ano passado, por esta altura, passava em Viana uma média de 120 peregrinos por dia. Hoje não temos 10", afirmou Alberto Barbosa, presidente da Associação dos Amigos do Caminho de Santiago de Viana, referindo que, face à nova realidade pandémica, "a maioria dos albergues públicos e associativos estão fechados".

"Com as restrições da DGS, ficam restringidos no número de peregrinos. Por exemplo, um albergue em Barcelos com capacidade para 25 peregrinos só poderia receber cinco de acordo com as normas", explica, comentando que, a seu ver, "o conceito de albergue de peregrinos não é muito compatível com o coronavírus porque é um espaço de partilha de camaratas, balneários e cozinha". E acrescenta que, após a abertura das fronteiras, "já se começam a notar peregrinos, mas muito lentamente".

Reduzido a metade

O mesmo referiu Ricardo Igreja, responsável do albergue São João da Cruz dos Caminhos, no convento do Carmo, em Viana do Castelo, "com uma lotação de 110 camas, atualmente reduzida a 50". "A afluência dos peregrinos do caminho português, que é muito utilizado na sua maioria por alemães, italianos e franceses, caiu vertigionasamente", diz, lamentando: "O caminho está muito, muito vazio. Embora continue a acreditar que alguma coisa vai mudar, fico preocupado como é que vai ser o Ano Jacobeu no próximo ano".

Ricardo informou que, desde 1 de junho, acolheu "cerca de 150 peregrinos" mas diz não acreditar que a falta de peregrinos se deva à pandemia mas à crise económica instalada por causa dela.

PUB

Rosana Gomez e Maria del Collado, espanholas de Madrid e de Jaen na Andaluzia, trabalham na área da hotelaria, mas estão em lay-off e aproveitaram para concretizar o anseio antigo de fazer a pé o Caminho de Santiago. E também sentem o vazio. Ontem completaram os primeiros 23 quilómetros entre Marinhas-Esposende e Viana e constataram várias outras coisas: o caminho é duro, levam demasiado peso nas mochilas e não garantem que vão chegar a Santiago a 2 de agosto conforme previam. Dizem que vão continuar a caminhar praticamente sozinhas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG