Reportagem

Centro comercial deserto de lojas

Centro comercial deserto de lojas

Há precisamente duas décadas, o Centro Comercial 1º de Maio abria portas no coração de Viana do Castelo, convertendo um espaço urbano que se apresentava, até então, esquecido, num dos mais concorridos da cidade.

Vinte anos volvidos, o imóvel apresenta-se, para muitos, como um "edifício fantasma", apesar da sua localização. Motivo: o abandono a que estão votadas a esmagadora maioria das lojas, que, outrora, levavam a que vianenses e visitantes se acotovelassem nos corredores.

O "golpe de misericórdia", garantem os poucos lojistas, viria a ser dado pelo Shopping da Estação. Contudo, afiançam que os problemas "já vinham de trás". Quanto a solução para a dinamização do espaço, o responsável pela empresa que criou o imóvel alude a proposta, no valor de 10 milhões de euros, mostrando-se convencido que, "mais cedo ou mais tarde, tal terá de acontecer".

"O tempo das galinhas dos ovos de ouro já lá vai", evidencia José Mendes, proprietário do restaurante situado no primeiro andar do centro comercial, comentário que encontra eco no estado de abandono a que estão votados muitos dos espaços do imóvel, cujas paredes se apresentam descascadas e grafitadas e as casas de banho avariadas. No exterior, amarelecidos pelo tempo, perpetuam-se cartazes de alguns dos últimos filmes exibidos naquela que chegou a ser a única sala de cinema da cidade (o "Verde Viana"), assim como um dos principais motivos de atracção do complexo, sala essa hoje reduzida à exibição de um filme por semana, pela mão do cineclube local.

O estado de abandono levou mesmo a que a administração do condomínio afixasse um aviso, para que os proprietários e inquilinos das fracções mantivessem as portas "sempre fechadas", devido aos "vários actos de vandalismo" ocorridos no interior do centro.

"Ainda ontem (anteontem) à noite, verificou-se uma tentativa de assalto a uma das lojas, que está, há muito, abandonada, mas que continua com vários artigos no interior", assinala o proprietário de estabelecimento de vestuário em pele, dos poucos que se mantêm no 1º de Maio. Segundo Arnaldo Vaz, a abertura da via-rápida entre a cidade e o Porto "e, consequentemente, o NorteShopping", viria a ditar o princípio do fim do imóvel, que conheceria a "machadada final" com a abertura do Shopping da Estação. Sobre as causas do declínio do espaço, há ainda quem se refira à falta de uma loja-âncora, "como o cinema chegou a ser", assim como quem aponte a comercialização das 48 fracções a diferentes proprietários, assinalando que, a partir daí, "a sorte do 1º de Maio mudou".

Considerando que o imóvel que fora apresentado há 20 anos como sinal de modernidade "já pouco ou nada tem de centro comercial", Agostinho Rites, responsável pela empresa que ergueu o complexo, assegura que, "tal como está, trata-se de investimento que não é, de todo, viável". Segundo aponta, "a única solução" passaria pela aquisição da globalidade das lojas e "completa reformulação de todo o espaço", operação por si estimada em 10 milhões de euros. "Infelizmente, não se vislumbra outra solução para o centro, que goza de uma localização ímpar. Mais cedo ou mais tarde, tal terá de acontecer, o que será benéfico para a cidade, que só terá a ganhar", garante.

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