Trabalho

Empresa de Viana que dava folga à sexta-feira à tarde pondera semana de quatro dias

Empresa de Viana que dava folga à sexta-feira à tarde pondera semana de quatro dias

A empresa Bmviv de Viana do Castelo, que dava folga aos trabalhadores à sexta-feira à tarde, está a ponderar avançar em 2023 para o modelo da semana de trabalho de quatro dias.

Uma experiência de "quatro dias e meio" foi aplicada pela Bmviv, empresa especializada em soluções de climatização (AVAC) e segurança contra incêndios, a partir de 2016, na altura com 80 trabalhadores.
O regime laboral de 36 horas semanais e folgas à sexta-feira à tarde implicava que os funcionários dessem em troca uma das sextas para trabalho de voluntariado na comunidade, associado a causas de responsabilidade social da própria empresa.

"Foi uma experiência da qual não nos arrependemos. Foi bem sucedida. Não foi isso que nos tirou rentabilidade, antes pelo contrário. Tivemos sempre a equipa motivada", garante o empresário Licínio Lima, contando que acabou por suspender aquele modelo de organização laboral em março de 2020 quando começou a pandemia. Empurrado por uma conjuntura de crise que se arrasta até aos dias de hoje.

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Sugere, no entanto, que agora com a possibilidade em debate em Portugal da semana laboral de quatro dias, é possivel reformular o regime e assim que cheguem "dias melhores", fazê-lo evoluir "de quatro dias e meio por semana para quatro".

"Mantendo as projeções que temos ao dia de hoje e não surgindo mais nada de extraordinário, estou em crer que em janeiro do próximo ano, voltaremos a implementar, numa primeira fase, não trabalharmos à sexta-feira à tarde e fazendo uma reformulação do conceito da forma como executamos a obras, é possível conseguir chegar a não trabalharmos um dia", afirma o empresário, considerando que, face às dificuldades que as empresas portuguesas enfrentam é extemporâneo avançar já.

"Temos os combustíveis mais caros que no período da troika e ninguém consegue perceber. Quanto é que isso custa na vida de uma empresa que tem 20 viaturas na rua? Em vez de estarmos a discutir o que é importante para a vida das empresas, estamos a discutir se vamos implementar os quatro dias ou não", diz, acrescentando: "Eu defendo que devemos implementar e iremos implementar, mais cedo ou mais tarde, mas este não é o momento".

A Bmviv tem atualmente cerca de 70 trabalhadores e a ideia de trabalhar apenas quatro dias por semana, agrada, mas com reservas. "Neste momento, com esta crise toda, não acho que seja muito viável aplicar e obrigar as empresas do setor privado, que são quem faz mexer isto tudo, a serem as cobaias", comenta Joaquim Alves, admitindo que, num cenário de maior estabilidade, o modelo "pode ser benéfico" e acredita que "os trabalhadores acabem por dar mais um bocadinho para compensar esse dia".

Já a colega Luísa Lousada, afirma: "Ter as sextas-feiras à tarde era bom. Tínhamos tempos para organizar a nossa vida pessoal. Se quatro dias e meio era bom, quatro ainda era melhor".

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