Despejo

Autarca de Viana tenta convencer moradores do prédio Coutinho a sair

Autarca de Viana tenta convencer moradores do prédio Coutinho a sair

Ao quarto dia de resistência ao despejo, o Edifício Jardim (prédio Coutinho), em Viana do Castelo, acordou com gradeamento a cercar o acesso à rua.

A VianaPolis já selou todos os apartamentos, à exceção de seis frações que continuam habitadas por 11 pessoas. Desde segunda-feira, já foram cortados os serviços de água, gás e telecomunicações. Uma das moradoras, Maria José da Ponte, afirma: "Cada vez somos mais tratados como presidiários".

Entretanto, o presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa tem, nos últimos dias, contactado por telefone alguns moradores "a apelar ao bom senso e a tentar convencê-los a sair". Fonte da câmara adianta que o autarca "tem estado em contacto com alguns dos habitantes que resistem a sair, no sentido de lhes explicar a situação, de os acalmar e sensibilizar para acatarem as ordens do tribunal e para que esta situação não se prolongue".

Quarta-feira, a sociedade VianaPolis anunciou que vai avançar com queixas-crime contra os moradores "por desobediência". E que também desencadeará uma ação para ser ressarcida dos "elevadíssimos prejuízos de toda a ocupação ilegítima que dura há anos, tem estado a implicar".

No prédio Coutinho, que conta já 99 frações seladas pela sociedade Polis, continuam alojados moradores, sem água nem gás nas habitações. O advogado que os defende na Justiça, Magalhães Sant'Ana, considerou que o anúncio da VianaPolis "não passa de intimidação e ameaças, e uma forma de tentar coagir as pessoas mais uma vez". Informou que espera ainda hoje ter notícia da providencia cautelar que interpôs no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga (TAFB) para tentar suspender a expropriação forçada das frações. E adiantou que pondera recorrer ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, caso ocorram "danos" decorrentes da atual situação em que se encontram as pessoas que resistem no interior do imóvel.

Quarta-feira, um médico visitou os moradores, a pedido do advogado, e alertou para existência de um "problema de saúde pública" no prédio. "O estado geral dos moradores é de ansiedade, de incerteza e medo do futuro. Há também razões de fundo para se sentirem desconfortáveis. As condições de salubridade são péssimas, na medida em que a água é fundamental e está cortada", declarou o clínico Costa e Silva.

No total o imóvel de 13 andares é composto por 105 frações, que em 2000, aquando do anuncio da demolição que está a ser contestada, eram habitadas por cerca de 300 pessoas. Recorde-se que na segunda-feira, dia em que foi iniciado despejo forçado, o presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, anunciou: "Recorreremos a todos os meios que estão dentro da lei para tomarmos posse de algo que é nosso, que é do Estado".

No prédio mantém-se ligada a eletricidade.