Pesca

Parque eólico ao largo de Viana avança em 2019 com "ajustamentos"

Parque eólico ao largo de Viana avança em 2019 com "ajustamentos"

Uma reunião de cerca de três horas esta quinta-feira à tarde, na Câmara de Viana do Castelo, por causa da contestação à localização do futuro parque eólico flutuante "WindFloat", resultou em "ajustamentos" ao projeto que deixaram satisfeitos os pescadores da região Norte.

No encontro, onde participaram o Secretário de Estado da Pescas, representantes da EDP Renováveis, REN, Autoridade Marítima e de associações de pesca, ficaram acertadas reduções na área de implantação das eólicas no mar, que passará para "cerca de 30 por cento em relação ao previsto inicialmente", e também da zona de assinalamento para proteção e segurança de 11 para oito quilómetros quadrados.

Recorde-se que os pescadores colocam em causa o impacto daquele investimento de cerca de 170 milhões euros, ao largo de Viana, na sua atividade, tendo em conta que na sua área de ocupação, estão colocadas artes de pesca permanentes. Em cima da mesa esteve ainda um eventual ajustamento dos limites da zona de proteção do cabo com 17 quilómetros (entre 250 metros a mil metros para cada lado) que fará a ligação do "Windfloat" a terra na zona da Praia Norte, em Viana do Castelo. Um assunto que irá ainda ser discutido com a REN e outras entidades ligadas ao projeto.

Em discussão na reunião que terminou cerca das 20.00 horas e que foi acesa em vários momentos, esteve também a necessidade de deslocalização de artes de pesca. "As associações facultaram-nos uma lista de 18 embarcações, que declaram que operam naquela zona e vamos procurar identificar qual é a localização em concreto e ver que ajustamentos fazer", declarou o Secretário de Estado das Pescas, José Apolinário à saída da reunião, referindo que "aspetos mais concretos relativos à implementação do projeto" vão ainda continuar a ser discutidos pelas associações de pescadores com a EDP Renováveis e a REN.

"Foi uma reunião muito viva, participada, com frontalidade e com todo o conhecimento de todas as partes e em que daqui ressalta que estamos a ajustar a área de utilização do mar, àquilo que é possível compatibilizar com a atividade de renováveis oceânicas e a pesca", afirmou o governante, referindo: "Vamos chegar ao máximo de consenso possível". Quanto à concretização do investimento, José Apolinário avançou que vai começar "no primeiro trimestre de 2019" com "perfuração horizontal dirigida até cerca de 600 metros da linha de costa". Uma primeira intervenção que "não afetará a atividade de pesca".

José Festas da Associação Pro-Maior Segurança dos Homens do Mar, comentou, no final da reunião: "Estamos sempre satisfeitos quando temos um metros e nos dão dois. Não temos dúvidas que ganhamos desde que reunimos com a Senhora Ministra do Mar (23 de novembro), mas ainda vamos reunir com as associações para ver se o que nos deram hoje é suficiente". "Penso que vamos chegar todos a bom porto. Desde que haja bom senso. Se houver o consenso de todos, da EDP, à REN, à Secretaria de Estado das Pescas e o Ministério do Mar, a Câmara de Viana do Castelo e os principais atores, que são os pescadores, teremos o problema resolvido. O que não vamos deixar é ao quero, posso e mando da EDP. Isso a EDP nunca vai fazer".

Para José Maria Costa, o autarca de Viana que intermediou aquelas conversações, concluiu: "Deram-se passos muito importantes. Um aspeto positivo é que a nossa classe piscatória está hoje mais serena. Quando recebi os pescadores pela primeira vez, estavam muito aborrecidos e ansiosos em relação ao seu futuro".

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