O Jogo ao Vivo

Eólicas

Pescadores de Viana esperam até sexta-feira antes de partir para a luta

Pescadores de Viana esperam até sexta-feira antes de partir para a luta

Os tripulantes das embarcações afetadas pela colocação do cabo de ligação a terra do parque eólico WindFloat, ao largo de Viana do Castelo, vão esperar até sexta-feira, antes de avançar com formas de luta. Reclamam o aumento do valor das compensações ao setor, atualmente fixado em 200 mil euros no total.

António Coimbra, porta-voz dos 28 barcos já oficialmente identificados para ser compensados, declarou que se o referido montante não for aumentando, uma das medidas em cima da mesa "é encostar as embarcações ao cais no dia da Procissão ao Mar (20 de agosto) com bandeiras e placards". E outra "impedir a embarcação (do empreendimento eólico) de esticar o cabo".

As afirmações foram feitas esta tarde, após uma reunião "quente" de quase três horas em Viana, com o Secretário de Estado das Pescas, José Apolinário.

"Disse-nos que ia tentar falar com a REN e que até sexta-feira ia entrar em contacto connosco para nos dar algo mais satisfatório. Até lá vamos ter que esperar, mas em luta. Se não nos trouxerem nada satisfatório, vamos entrar com algumas coisas e infringir a lei", declarou António Coimbra, referindo: "Só estas 28 embarcações são em média 100 chefes de família, porque há embarcações com sete e oito pescadores. Isto vai afetar muita gente e se fizermos as contas (aos 200 mil) dá sete mil euros a cada embarcação para compensar 25 anos em que não se pode pescar naquele local", declarou António Coimbra, referindo: "Vão-nos tirar a área mais produtiva durante o Inverno. Vai-nos obrigar a navegar mais e a correr mais riscos, como tal deveremos ser compensados financeiramente por aquilo que vamos sofrer".

O Secretário de Estado das Pescas, anunciou no final da reunião que está "a trabalhar" com a EDP e a REN no sentido de "reforçar apoios" às comunidades piscatórias locais. Para compensar, por um lado, as 28 embarcações diretamente afetadas pelo cabo e, por outro, as de outras zonas que venham a sofrer uma "influência colateral" na sua atividade por causa do projeto eólico.

Na reunião desta tarde estiveram também representantes de 49 barcos de pesca local do litoral entre Caminha e Esposende, que reclamam ser incluídos nas compensações, mas para os quais não está definida qualquer verba ou apoio. Recorde-se que a polémica estalou após divulgação de que 16 embarcações costeiras, que operam na zona do empreendimento, tinham recebido compensações de um milhão de euros.