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Viana do Castelo

Pescadores de Viana mantêm braço de ferro pelas compensações do WindFloat

Pescadores de Viana mantêm braço de ferro pelas compensações do WindFloat

Os 28 armadores das embarcações de Viana do Castelo afetadas pela instalação de um cabo marítimo de ligação do parque eólico WindFloat a terra, decidiram, este sábado, não aceitar o valor das compensações e as contrapartidas propostas pela REN.

A hipótese de não participar na Procissão ao Mar das festas da Senhora d'Agonia continua de pé, como uma das medidas de luta caso não vejam satisfeitas as suas reivindicações.

Decidiram entretanto avançar com uma contraproposta, que será apresentada segunda-feira, dia 19, ao presidente da Câmara de Viana, José Maria Costa, que tem intermediado as conversações com o Secretário de Estado das Pescas, José Apolinário.

"A montanha pariu um rato. Estivemos todos reunidos hoje de manhã e ninguém está de acordo com a proposta. Vamos estes dois dias pensar numa contraproposta que vamos apresentar numa reunião com o Senhor Presidente da Câmara na segunda-feira às 10.00 horas, para as negociações", disse António Coimbra, porta-voz dos 28 armadores, referindo: "Para já não há fumo branco. Está tudo em aberto. Se as negociações não chegarem a bom porto, deixamos os barcos encostados no cais na Procissão ao Mar".

Se decidirem não participar no cortejo no rio Lima e no mar, que todos os anos arrasta milhares de pessoas a Viana, a procissão não fica impedida de se realizar. Os barcos que levam os andores são costeiros e estão fora desta luta. A sua ausência retirará, no entanto, grandeza ao evento dedicado a Nossa Senhora d' Agonia, padroeira dos pescadores.

Ainda segundo António Coimbra, os pescadores "estão determinados nesta luta", e, mantêm como seus representantes o advogado Pedro Meira, a pensar na possibilidade de a contestação seguir a via jurídica. "Se tivermos de ir para tribunal, vamos para tribunal", disse.

Estes homens reclamam o aumento do valor global das compensações ao setor, atualmente fixado em 200 mil euros. Alegam que vivem da pesca ligada àquelas embarcações, "em média 100 famílias, porque há barcos com sete e oito pescadores". "Isto vai afetar muita gente e se fizermos as contas (aos 200 mil) dá sete mil euros a cada embarcação para compensar 25 anos em que não se pode pescar naquele local", afirma António Coimbra.

A central WindFloat de um consórcio liderado pela EDP vai ser instalada ao largo de Viana do Castelo e afetar a atividade piscatória. Dezasseis barcos costeiros foram contemplados compensados pelos eventuais prejuízos na atividade com um milhão de euros.

As embarcações de pesca local, reclamam ser tratados de forma idêntica. No decorrer das negociações foi estabelecida uma lista de 28 daqueles barcos para serem compensados, mas os armadores não aceitam os valores, nem contrapartidas que entretanto também já estão em cima da mesa.