Viana do Castelo

Pescadores decidem sábado se boicotam Procissão ao Mar d'Agonia

Pescadores decidem sábado se boicotam Procissão ao Mar d'Agonia

Os proprietários das 28 embarcações de Viana do Castelo indicadas para receber compensações pela instalação no mar da central eólica, WindFloat, vão reunir amanhã para avaliar uma nova proposta de valores e contrapartidas apresentada pelo Secretário de Estado das Pescas, José Apolinário.

Na reunião decidirão se aceitam o que lhes é proposto ou se avançam com medidas de luta para reclamar o que entendam ser justo. Em cima da mesa está, entre outras ações, não participarem na Procissão ao Mar da romaria d'Agonia na próxima terça-feira. "Recebemos hoje uma nova proposta enviada pelo Senhor Secretário de Estado. Posso dizer que é um valor pouco acima da compensação de 200 mil euros que propuseram inicialmente. É pouco, mas há outras contrapartidas que nos querem dar", disse ao Jornal de Notícias, António Coimbra, porta-voz dos pescadores identificados para serem compensados, mas que se mostram insatisfeitos com os valores. "Vamos reunir todos amanhã da parte da manhã e tentaremos também reunir com o Presidente da Câmara ainda amanhã. Vamos decidir se aceitamos ou avançamos com medidas de luta", declarou, referindo quando à possibilidade de deixarem os barcos em terra na Procissão ao Mar que "ninguém tem vontade de fazer uma coisa dessas, mas se tiver que ser será".

Aqueles homens reuniram esta semana na Câmara de Viana com o Secretário de Estado das Pescas, que prometeu "trabalhar" com a EDP e a REN no sentido de "reforçar apoios" às comunidades piscatórias locais. Para compensar, por um lado, as 28 embarcações diretamente afetadas (não podem pescar na zona) pela instalação de um cabo submarino para ligar o WindFloat a terra. E, por outro, as de outras zonas que venham a sofrer uma "influência colateral" na sua atividade por causa do projeto eólico.

Na reunião estiveram também representantes de 49 barcos de pesca local do litoral entre Caminha e Esposende, que reclamam ser incluídos nas compensações, mas para os quais não está definida qualquer verba ou apoio. Recorde-se que a polémica estalou após a divulgação de que 16 embarcações costeiras, que operam na zona do empreendimento, tinham recebido compensações de um milhão de euros.

Se eventualmente estes pescadores decidirem deixar os barcos em terra, a Procissão ao Mar deverá realizar-se na mesma, já que os andores são levados por barcos costeiros. A sua ausência retirará, no entanto, a grandeza habitual ao cortejo ao rio e mar, dedicado a Nossa Senhora d'Agonia, padroeira dos pescadores.