Viana do Castelo

Moradores do prédio Coutinho resistem ao sexto dia com água e comida racionadas

Moradores do prédio Coutinho resistem ao sexto dia com água e comida racionadas

Sexto dia de resistência de 11 pessoas no interior do Edifício Jardim (prédio Coutinho), em Viana do Castelo. A entrada de água, comida e outros bens de primeira necessidade continua vedada.

Este sábado de manhã, os moradores receberam um garrafão de água. "Foi-nos entregue agora um garrafão de água, gentileza da VianaPolis", disse a moradora Maria José Da Ponte.

Com a água da rede pública, gás, telecomunicações e luz cortados, os resistentes racionam tudo, até as baterias dos telemóveis para poderem continuar a comunicar com o exterior.

"Tenho tudo de tudo ainda, porque faço sempre compras o mês. A outra torre (há dois blocos ocupados) é que para nós está a ser mais preocupante, porque são mais pessoas, mais idosos e não têm tantas provisões, sobretudo água", relatou hoje Maria José da Ponte, proprietária de uma das seis frações, que, num total de 105, continuam ocupadas. E acrescenta: "Temos nas duas torres solucionado as comunicações. Poupamos bateria, desligando o telemóvel em intervalos".

O prazo para saída voluntária dos moradores terminou na segunda-feira, às 9 horas, e a sociedade VianaPolis, tem passo a passo apertado o cerco aos resistentes para os impelir a sair. Além do corte de todos os serviços básicos, ontem começou com trabalhos de demolição. Trabalhadores entraram de manhã no edifício e começaram a derrubar paredes com marretas, nos apartamentos contíguos aos que ainda são habitados. Vedou a entrada de bens e de familiares. "Não autorizam a entrada de água e comida. Ainda ontem voltamos a solicitar autorização e foi negada", diz Maria José da Ponte.

Ao fim de seis dias, o cenário de resistência mudou num aspeto: com a entrada esta sexta-feira do Presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa "abriu-se uma porta de diálogo". "O diálogo poderá permitir uma solução e é nisso que trabalhamos", declarou o advogado dos moradores Vellozo Ferreira, após reunir com o autarca no fim da visita.

José Maria Costa foi recebido em quatro das seis frações que permanecem ocupadas. E disse, ao fim de cerca de hora e meia no interior do edifício, que conseguiu, pelo menos, "um pré-acordo" com um dos casais resistentes. Explicou que a proposta foi idêntica à que fizeram à família Coutinho (do construtor do prédio): contratarem uma empresa e dar um prazo mais alargado para permitir que aqueles moradores possam mudar os seus bens. "Alguns moradores estão mais renitentes, mas pelo menos eu fiquei com a minha consciência de que fiz tudo, tudo, o que estava ao nosso alcance para que as pessoas saiam a bem e, sobretudo, a VianaPolis quer que as pessoas saiam com dignidade", declarou o presidente da Câmara.

Para os proprietários estão disponíveis 1,2 milhões de euros em indemnizações, a dividir em partes iguais pelas seis frações (T3) ou apartamentos em dois edifícios na cidade.

Este sábado, vive-se um ambiente de mais tranquilidade ao redor do edifício, que nos últimos dias tem sido alvo de romaria.

Recorde-se que a demolição do imóvel de 13 andares está projetada desde o ano 2000. A expropriação do imóvel foi sempre e continua a ser contestada nos tribunais. No início eram cerca de 300 moradores, que entretanto foram saindo. Restam 11. Não há sinais de a VianaPolis e a Câmara de Viana, quererem avançar com o despejo compulsivo.

Os deputados do CDS-PP Filipe Anacoreta Correia e Ilda Novo, solicitaram autorização para visitar os moradores este sábado, o que a acontecer, será à tarde.

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