Economia

Municípios pedem reabertura "controlada" das fronteiras no Minho

Municípios pedem reabertura "controlada" das fronteiras no Minho

Os municípios do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho reclamam a reabertura das fronteiras como "medida de alívio" para as economias locais.

Uma das reivindicações dos autarcas, expostas num comunicado divulgado no fim de uma reunião na terça-feira, é que os postos de atravessamento reabram em benefício dos trabalhadores transfronteiriços que "diariamente têm de se deslocar quilómetros para aceder aos seus postos de trabalho".

Invocaram ainda que "a economia local e o emprego, nos seus municípios, depende em grande parte desta relação transfronteiriça, designadamente o turismo, o comércio e a indústria".

Defenderam, contudo, que a reabertura se faça sob "a aplicação dos devidos meios de controlo e segurança".
"Não se trata de abrir as fronteiras para que circule qualquer pessoa", explicou o diretor do AECT Rio Minho, Uxío Benítez. Trata-se sim de oferecer "uma melhoria" para aquelas pessoas que "mais estão a sofrer o duplo golpe da pandemia por se encontrarem na fronteira e num território fortemente interrelacionado".

Atualmente, a única fronteira aberta no território é a da ponte de Tui - Valença, uma travessia, que, segundo aquela AECT, "concentra cerca de 44% do total da mobilidade entre Espanha e Portugal". E único ponto de atravessamento para quem vive num país e trabalha noutro, seja qual for a sua zona de residência.

"Alguns trabalhadores transfronteiriços deslocam-se obrigatoriamente a distancias de mais de 60 km entre a ida e volta para poder chegar às zonas industriais ou empresas que ficavam a uma escassa distância dos seus domicílios", afirmou a autarca de Tomiño, Sandra González, argumentando que esta situação afeta a uma população "com um nível económico medio baixo". E "está a provocar que alguns destes trabalhadores se viram obrigados a abandonar os seus postos de trabalho devido ao aumento dos custos de deslocação que são incompatíveis com os seus salários baixos que às vezes não ultrapassam os 600€".

Na reunião da AECT do Rio Minho, também a autarca de Salvaterra, Marta Valcárcel, propôs como solução imediata "uma abertura parcial, por exemplo, em vários horários".

O Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial do Rio Minho analisou ontem "o impacto socioeconómico que a pandemia do Covid-19 está a ter" na região e concluiu, segundo Uxío Benítez, que "é vital que o encerramento de fronteiras não vá muito mais além do fim dos estados de alarme e emergência de Espanha e Portugal".

A reunião, que se desenvolveu em vídeoconferência, contou com a participação da presidente da Deputación de Pontevedra, Carmela Silva, e de representantes da CIM Alto Minho, que "demonstraram a sua preocupação com as atuais circunstâncias e se ofereceram para "fazer chegar a mensagem do AECT Rio Minho junto das entidades competentes do Governos de Portugal e Espanha".

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