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Novo "SOS" dos autarcas do Minho: "O território da fronteira definha"

Novo "SOS" dos autarcas do Minho: "O território da fronteira definha"

Os autarcas dos municípios ribeirinhos do rio Minho renovaram o apelo aos governos de Portugal e Espanha para a reabertura controlada das fronteiras em prol da reativação da economia local.

Numa segunda ação concertada, no seio do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) do rio Minho, os presidentes de Câmara juntaram-se, esta segunda-feira de manhã, na ponte internacional Monção-Salvaterra e formaram um "SOS", à semelhança do que já tinha acontecido na semana passada na travessia que liga Vila Nova de Cerveira e Tomiño. Os autarcas reclamaram que seja aberta passagem, com controlo fronteiriço, nas pontes de Cerveira-Tomiño, Monção-Salvaterra e Melgaço-Arbo.

"As fronteiras deveriam ser uma riqueza, mas neste momento está a acontecer exatamente o contrário. O que temos, infelizmente, hoje é um território de um lado e do outro da fronteira que está a definhar", declarou o autarca de Monção, António Barbosa, que foi dos primeiros a nível nacional a pedir o encerramento das fronteiras para conter a pandemia. Pede agora que sejam reabertas, com postos fronteiriços controlados por forças de segurança, para permitir a passagem de trabalhadores transfronteiriços e atividades locais. "Não queremos passar por cima do que é essencial, que é a questão da saúde pública, mas queremos passar agora à segunda fase, que é sobreviver", justificou, referindo ainda que "os meios existem". "Se tivéssemos um qualquer evento em Braga ou no Porto, em locais com mais peso político se calhar já haveria meios e mais meios, aqueles que fosse necessários para poder trabalhar", acusou.

Estiveram presentes no protesto os autarcas de A Guarda, O Rosal, Tomiño, Tui, Salvaterra, Arbo, As Neves, Melgaço, Caminha Monção, Paredes de Coura, Valença e Vila Nova de Cerveira. Ainda esta semana, em princípio na sexta-feira, pretendem voltar a juntar-se na ponte de Melgaço-Arbo. "Insistimos: é uma questão de colocar meios de controle nas pontes para que os trabalhadores transfronteiriços não tenham que 'dar voltas quilométricas' com grandes custos económicos que isso lhes está a trazer. E reivindicamos que haja uma reabertura controlada aos clientes dos comércios dos dois lados".

Cinco pontes sobre o Minho

Para demonstrar que "há pessoas que dependem da fronteira", os autarcas galegos e portugueses fizeram-se acompanhar de dois exemplos de atividade económica na raia que "asfixia" sem o movimento proporcionado pelas cinco pontes existentes sobre o rio Minho (Melgaço-Arbo, Monção-Salvaterra, Valença-Tui [2] e Vila Nova de Cerveira-Tomiño). Desde 17 de março, apenas uma, entre Valença e Tui, ficou aberta com controlo do SEF e GNR.

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Cecília Puga, cabeleireira galega com salão em Melgaço, apresentou-se no protesto com uma cartaz a dizer "Deixem-me trabalhar". Em condições normais, demora "seis minutos" a chegar ao trabalho, mas agora demora "uma hora e quarenta". "Há dias, dependendo de quem está na fronteira, em que demoro duas horas. E na semana passada demorei cinco horas a chegar ao meu trabalho, porque a senhora da fronteira implicou com os meus papéis, que não serviam. Só peço que me deixem trabalhar", disse a cabeleireira. "Já sabemos que não podem abrir a todo o público, porque se calhar é muito cedo, mas pelo menos que deixem passar os trabalhadores pelas zonas de atravessamento habituais. Resolve-se simplesmente colocando meios. E se não chegar a Polícia que destaquem o Exército".

Vítor Domingues, feirante habitual nas feiras portuguesas de Melgaço até Caminha, também marcou presença. "Está a ser muito duro viver esta fase com as fronteiras fechadas. Está a ser um colapso económico total na raia. Pedimos ao governo espanhol, que é neste momento quem nos está a fazer frente, que seja mais flexível. Que pense na Galiza e no Norte de Portugal", disse.

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