Viana do Castelo

Rio Minho segue exemplo do Douro para ser destino turístico internacional em 2020

Rio Minho segue exemplo do Douro para ser destino turístico internacional em 2020

Sete entidades públicas do Norte de Portugal e da Galiza uniram-se no projeto de tornar o rio Minho navegável para atrair operadores privados que o impulsionem como destino turístico internacional.

Seguindo o exemplo do Douro, a ideia é criar uma rota navegável com cerca de 16 quilómetros, abrangendo duas euro-regiões, Monção-Salvaterra e Valença-Tui. E associar-lhe um circuito de visitação em terra para que os turistas possam conhecer o que de melhor têm para oferecer as duas margens.

O projeto está em marcha, com apoio de fundos comunitários (POCTEP), num investimento de mais de 1,1 milhões de euros, e sustentado por um estudo que confirma a navegabilidade daquele troço. Em conferência de imprensa realizada hoje em Monção, os parceiros - quatro municípios abrangidos e as entidades de Turismo da Galiza e do Porto e Norte de Portugal (TPNP) -, informaram que, a correr conforme o esperado, dois barcos com capacidade para 25 pessoas navegarão o rio nos meses de verão de 2020 e 2021. A experiência, gratuita para os turistas, implicará visitas em terra de autocarro e comboio turístico, a pontos de interesse (gastronomia, vinhos, festas, Natureza, património e outros) dos dois lados da fronteira.

Até lá será elaborada uma rota de visitação pelo Turismo da Galiza, prevendo-se a sua conclusão em abril do próximo ano, e serão construídos embarcadouros nos quatro municípios. Numa ilha existente em frente a Salvaterra, a Filla Boa, será instalado um Centro de Interpretação Ambiental do Rio Minho. Atualmente, este último município galego tem já disponível uma aplicação que permite aferir, em tempo real, se o caudal do rio apresenta condições para navegação.

Esta terça-feira, o presidente do TPNP, Luís Pedro Martins, aludiu à possível comparação do projeto de navegabilidade do Minho com o que já existe no Douro, preconizando: "Digo com a certeza absoluta que se fizermos as coisas como estamos a fazer teremos muito mais sucesso do que o Douro". Destacou "a muita potencialidade" do rio Minho e dos recursos turísticos das regiões envolventes, e avisou para a necessidade de apostar também, após os investimentos no terreno, na comunicação e promoção daquele destino.

A expetativa é que a experiência-piloto, proporcionada pelos parceiros públicos a nível transfronteiriço, suscite interesse nos operadores privados em criar circuitos de navegação para turistas.

Para o presidente da Câmara de Monção, António Barbosa, hoje anfitrião da apresentação do projeto, recordou que "a ideia maluca do rio Minho navegável" partiu do antigo alcalde de Salvaterra do Miño, Arturo Grandal (liderou aquele município galego durante 40 anos). "Este passo que damos hoje demonstra ser possível o que, se calhar, poucos acreditavam no passado", declarou Barbosa, mostrando o seu entusiasmo face ao futuro do projeto. "Hoje, do lado português, olhamos para o Douro que conseguiu projetar uma região para um patamar de excelência em termos turísticos, conjugando com as plantações de vinha nas suas margens. Nós temos tudo isso e muito mais nos quatro municípios. Temos vinho, património histórico e natural, Natureza e histórias para contar", afirmou, acreditando ser viável "vender o território desde o rio".