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Viana do Castelo

Sim venceu o referendo em Barroselas e Carvoeiro mas resultado não é vinculativo

Sim venceu o referendo em Barroselas e Carvoeiro mas resultado não é vinculativo

O "sim" à desagregração venceu esta segunda-feira o referendo local na União de Freguesias de Barroselas e Carvoeiro, em Viana do Castelo, mas o resultado não é vinculativo.

Segundo o autarca Rui Sousa, votaram apenas 22,38% do universo total de 4800 eleitores, sendo que 19,73% (924 votos) disseram sim à separação e 2,45% (115) colocaram a cruz no não do boletim de voto.

Registaram-se cinco votos nulos e quatro brancos. De acordo com o Tribunal Constitucional, para o resultado do referendo ser vinculativo teria de votar "mais de 50% do eleitorado", pelo que a eventual decisão de colocar um ponto final à União de Freguesias fica agora nas mãos da Assembleia de Freguesia.

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"Só nos podemos encontrar satisfeitos no sentido de que esta foi uma promessa eleitoral que conseguimos concretizar. Para nós era importante que a votação fosse mais expressiva, para que o resultado fosse vinculativo. Ficou bastante aquém do pretendido, embora tendencialmente o que vemos é que há uma vontade significativa de separação", comentou Rui Sousa, após ser conhecida a contagem dos votos. O autarca adiantou que, em breve, será convocada uma reunião da Assembleia de Freguesia "para análise dos resultados e tomada de uma posição".

O dia começou com baixa afluência às urnas. Até ao meio dia tinham votado 4% dos eleitores de Barroselas e Carvoeiro.

Por iniciativa do presidente da União de Freguesias, a população teve oportunidade de votar para decidir a continuidade da integração que nunca foi pacífica desde a formalização em 2013.

"Acho muito bem este referendo. Nós fomos anexados a Barroselas, não foi Barroselas a Carvoeiro. E não fomos ouvidos. Fomos desprezados", declarou Agostinho Rio, eleitor em Carvoeiro, descontente com a união. "É importantíssimo sermos ouvidos porque fomos marginalizados. Estou convencido de que as pessoas vão votar e devem fazê-lo. Esta é a única oportunidade que temos de nos livrarmos do Relvas e de outros assim", acrescentou.

Do lado de Barroselas, o casal Celeste e Fernando Alves, também lamentou que a população não tenha sido auscultada aquando da união das freguesias, há nove anos. "Este assunto dividiu muito as pessoas. Eu acho que Barroselas tem população suficiente para estar independente", disse Celeste, considerando que o dia para a votação "não é o melhor". "Muita gente não virá porque é feriado, as pessoas estão de férias e há festas. Também não houve divulgação suficiente", acrescentou.

Já o marido Fernando, entende que a consulta popular "faz falta, pelo menos para a população não ficar tão dividida e ficar mais consciente daquilo que deve ser". "Sempre se falou nisto porque não foi o povo que quis a União. É um referendo justo", disse.

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