Viana do Castelo

"Andamos uns a respeitar as medidas e outros a estragar"

"Andamos uns a respeitar as medidas e outros a estragar"

População de Viana do Castelo inquieta com ajuntamentos ao final do dia para assistir ao espetáculo multimédia da iluminação natalícia.

O agravamento do risco de contágio da covid-19 para nível "muito elevado" deixou esta terça-feira a população de Viana do Castelo, no mínimo, inquieta. Numa altura em que, nas redes sociais, circulam fotografias de ajuntamentos ao fim do dia na principal avenida da cidade para ver o espetáculo multimédia da iluminação natalícia, que acontece às 18, 20 e 22 horas, critica-se quem desrespeita as medidas de restrição, que com a mudança de nível serão ainda mais apertadas. Críticas tanto de transeuntes como de comerciantes, numa terça-feira de sol, com as esplanadas cheias de gente. Uns com máscara e outros não.

"Ontem fui dar um passeio higiénico na cidade e ao fundo da avenida [dos Combatentes] parecia o fim do mundo. Havia mais de 200 pessoas a ver o espetáculo das luzes de Natal. Era tanta gente que até fazia confusão. Andamos uns a respeitar as medidas e outros a estragar porque não querem saber", lamentava Filipe Matos. O filho do proprietário de um quiosque no centro da cidade acrescentou: "No próximo, vamos ficar outra vez de castigo, mas o pessoal vem todo de manhã e há uns que respeitam e outros não. E depois, quando temos de penar, penamos todos". Filipe considerou, de resto, quanto às restrições em vigor, que "mais vale fazer um sacrifício". "Isto daqui a uns tempos voltar à normalidade. Toda a gente devia pensar assim", disse.

À porta do quiosque, Baltazar e Glória Chaves, ele de pé a preencher boletins de jogos da Santa Casa, e ela sentada a apreciar quem passava, também dirigiram críticas a quem desrespeita as regras de contenção da pandemia. "Temos de cumprir o que nos é imposto, se não não se vai a lado nenhum. Estamos com recolher obrigatório, mas ainda esta noite eram três da manhã e passou na minha rua uma «maralha» de juventude. Então de onde vinham?", comentou Glória. "Isto assim nunca mais acaba. Nós temos todos os cuidados para vir à rua, para entrar em casa e tal, só que uns cumprem e outros não, e depois os que cumprem também levam por tabela", acrescenta. "Isto está muito mau, principalmente aqui para o Norte", completou Baltazar. "No confinamento, estivemos três meses sem sair de casa. Agora saímos um bocadinho, para dar uma voltinha e jogar o Totobola e o Placard. É um gosto que tenho", refere.

"Esta situação não agrada a ninguém mas temos de lidar com ela. Vê-se muita gente a desrespeitar as normas e muitas aglomerações, principalmente por causa das luzes de Natal. Acho uma excelente iniciativa, mas as pessoas devem ter civismo e muitas não têm", comentou Rui Silva, que circulava na rua e usava máscara.

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Vítor Coutinho, ourives com estabelecimento no centro da cidade, desabafou: "Esta subida [de casos] vai ser muito prejudicial para o negócio. Acho que se relaxou. Estávamos no amarelinho, passamos para o laranjinha e agora estamos na «red line» [linha vermelha]. Isto era previsível. Nunca devíamos ter relaxado". "Isto cada vez está pior e vai continuar a piorar. Temos de ser realistas. Vamos todos pagar. Há muitas portas aqui na cidade que já fecharam e que não vão voltar a abrir. Acho que não se levou isto muito a sério desde início", sentenciou.

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