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Alto Tâmega: Passar para outra margem não pode ser uma miragem

Alto Tâmega: Passar para outra margem não pode ser uma miragem

Boticas/Vila Pouca: População não se vai calar enquanto não tiver uma nova ponte para substituir a de arame que a barragem vai inutilizar.

O tempo que demora percorrer a pé o caminho entre Monteiros (Vila Pouca de Aguiar) e Veral (Boticas) chega e sobra para Leonel Silva explicar a "muita utilidade" que a ponte de arame que liga as duas margens do rio Tâmega sempre teve para as duas povoações. Só que vai deixar de existir ali. A barragem que a Iberdrola está a construir mais abaixo vai inundar o local. Depois de muita pressão popular e dos autarcas, a empresa espanhola propõe-se construir outra, mas o povo só acredita quando a vir.

Do que será a futura travessia pouco se sabe, por isso a população põe a tónica na que existe. É literalmente uma ponte presa por arames. "Abana, mas não cai. Está bem presa", assegura José Gonçalves, de Veral. E se for arrastada pelo rio ou arder, como já aconteceu, constrói-se outra. Agora, "ficar sem ela é que não". Porque há quase um século que ali se passa para ir à missa, a funerais, cultivar terrenos, ganhar o dia ou visitar a família. "Ainda era um canalhito e já vinha para aqui às castanhas", recorda José da Silva. Hoje, com 54 anos, vai para Monteiros trabalhar na arranca das batatas, na vindima e fazer o que calhar".

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