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Porcos farejam trufas de mais de 500 euros

Porcos farejam trufas de mais de 500 euros

O produtor Orlando Barroso ensinou os porcos que cria a farejarem as trufas pela florestas de Boticas, vendendo depois esta espécie de cogumelo subterrâneo a 500/600 euros/kg para restaurantes locais e estrangeiros.

Orlando Barroso é construtor civil mas, há cerca de dois anos, tirou um curso de tubérculos e cogumelos e decidiu ensinar os porcos que o próprio cria em sua casa, na localidade de Carvalhelhos, a farejarem trufas.

O trabalho é árduo mas recompensa, e bem. É que, por cada quilo de trufas que apanha, o produtor disse à Agência Lusa que ganha cerca de 500 ou 600 euros. "O preço varia consoante a procura e quantidade de trufas que consigo apanhar", frisou.

O método de ensino dos porcos é simples. Orlando Barroso pega nas pequenas crias destes animais e alimenta-as com esta espécie de cogumelo. Quando os animais têm cinco ou seis meses "estão completamente domesticados" e prontos para irem para a floresta à procura das trufas, um fungo subterrâneo que nasce nas raízes de castanheiros, pinheiros ou carvalhos.

"Abro a porta da carrinha e os porcos entram logo. Depois, percorro os montes com o animal preso por uma trela à procura. Neste momento já sei mais ou menos onde podemos encontrar as trufas e, por isso, o trabalho é mais facilitado", referiu.

Quando o animal fareja o fungo, normalmente enterrado a cerca de oito a 15 centímetros, Orlando Barroso apanha o produto com "todo o cuidado" para não o danificar ou às raízes que, meses depois, produzirão novas trufas.

As trufas são apanhadas entre Fevereiro e Março ou entre Agosto e Outubro.

Apenas numa manhã de trabalho, o produtor pode ganhar "muitos euros" com este produto considerado gourmet e, por isso, procurado apenas por um número reduzido de restaurantes. Orlando vende ainda para Itália, Inglaterra, Canadá ou Luxemburgo.

O chefe José Pinheiro trabalha na Taberna do Ti João, em Carvalhelhos, e diz que as trufas são um produto muito caro para poder fazer parte da ementa daquele restaurante. José trabalhou durante 22 anos como chefe na Suíça, no cantão italiano, região onde as trufas são muito procuradas. "São um pouco diferentes das nossas. São mais duras e são raspadas como o queijo, sendo servidas com massas ou risotos, entre outros pratos", salientou. Agora, em Portugal, o chefe gosta de estufar as trufas, juntando-lhes presunto, alho, azeite e vinho branco.

Normalmente, o produtor treina entre dois a três porcos de cada vez, mas o trabalho destes farejadores no campo é feito por um animal de cada vez. O grande inimigo do nariz deste animal é o cio das fêmeas. "Depois de farejarem uma porca com cio, os animais já não prestam para nada. São capados e depois abatidos para produção de carne", referiu.

Depois, segundo Orlando Barroso, há que treinar novos animais. Agora, produtor diz que está a tentar treinar um cão a farejar as trufas.

No ano passado, o preço das trufas-brancas de Alba, na região italiana de Piemonte, rondava os cinco mil euros, sendo que alguns dos melhores exemplares chegaram aos sete mil euros. As trufas-negras são consideradas as mais raras e mais caras.