Chaves

Morte de mulher deve servir para repensar a reabertura do serviço de cardiologia na urgência

Morte de mulher deve servir para repensar a reabertura do serviço de cardiologia na urgência

O presidente da Câmara de Chaves, João Batista, considera que devem ser imputadas responsabilidades aos responsáveis pelo fecho do serviço de cardiologia na unidade hospitalar de Chaves, na sequência da morte de uma mulher por enfarte, na sexta-feira.

O autarca, apesar de lamentar a circunstância da morte da mulher de 79 anos, espera que "sirva de lição e exemplo", para que os responsáveis "repensam e ponderem" a reabertura da urgência de cardiologia que encerrou a 1 de dezembro de 2011.

O hospital de Chaves integrou, em 2007, o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) e, desde a sua incorporação, tem vindo a perder valências, profissionais e equipamentos.

Além da urgência de cardiologia, perdeu, em outubro de 2011, o serviço de internamento de cirurgia I e a especialidade de urologia.

A falta de respostas e assistência na unidade de saúde de Chaves, sobretudo na especialidade de cardiologia é, na opinião de João Batista, "lamentável e muito negativa".

O edil adianta que esta "triste" situação demonstra que o município "tinha razão" quando protestou pelo encerramento da urgência de cardiologia, porque os cidadãos ficaram "desprotegidos".

Quanto ao facto do hospital de Vila Real ter alegadamente "recusado" a doente por falta de vagas, João Batista refere que é "fundamental" apurar se isso aconteceu na realidade e, a ser verdade, os contornos do caso são "ainda piores".

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"Quando se retiram valências numa unidade, supostamente acrescem noutras. As pessoas precisam de sentir que existe uma resposta próxima, pelo menos às suas exigências mais básicas", disse à Lusa.

Do ponto de vista económico, o governante entende que é "mais fácil" vir o cardiologista à unidade hospitalar do que os utentes deslocarem-se de Chaves a Vila Real.

Por seu lado, a líder da concelhia do PS de Chaves, Paula Barros, afirmou que a morte da mulher pode ou não estar relacionada com o fecho da especialidade na urgência, mas é "uma chamada de atenção".

"Obviamente que respostas mais rápidas seriam mais eficazes. Por isso, esta situação obriga-nos a refletir e a redefinir prioridades", afiançou.

Paula Barros afiança que é "necessário" acontecer a perda de uma vida humana para relançar a questão do "esvaziamento" de valências no hospital de Chaves.

O Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde do Norte anunciou hoje que está já a investigar a morte da mulher na unidade hospitalar de Chaves.

Questionada pela Lusa sobre as circunstâncias que rodearam a morte da mulher, a ARS/Norte disse que, "como é indicado nas situações em que possam levantar dúvidas sobre a conformidade de procedimentos a adotar", decidiu "inquirir o ocorrido, com indicações precisas para que o processo decorra, com a maior brevidade possível".

A vítima terá morrido na sequência de um ataque cardíaco, em Chaves, depois de uma alegada demora na assistência médica.

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