Mondim de Basto

Alvão vai precisar de 30 anos para voltar a ser o que era

Alvão vai precisar de 30 anos para voltar a ser o que era

Os números deste grande incêndio que atingiu o Parque Natural do Alvão, em Mondim de Basto, são elucidativos da dimensão que atingiu: 283 operacionais, 89 veículos e três meios aéreos, oriundos dos distritos de Castelo Branco, Setúbal, Leiria, Coimbra, Aveiro, Vila Real e a Força Especial de Bombeiros trabalharam desde a madrugada do dia 27 até à tarde do dia 30.

"Fizeram um trabalho brilhante", argumentou Elísio Oliveira, comandante do Agrupamento Distrital Sul, que deu o incêndio por dominado, às 12 horas de sexta-feira, depois de três dias intensos num trabalho tecnicamente difícil.

"É uma orografia complexa com poucos acessos para os meios terrestres e o fogo andou a rodear algumas populações mas gostava de dizer que os munícipes de Mondim tiveram uma atitude muito positiva, compreendendo o trabalho dos bombeiros, apesar de verem o fogo rondar as casas", enalteceu Elísio Oliveira.

Apesar das populações não terem sido atingidas directamente nos seus pertences, sofreram perdas indirectas que tornarão complicados os próximos tempos, uma vez que toda a área do Parque Natural do Alvão no concelho de Mondim de Basto foi atingida.

"Ardeu uma área superior a dois mil hectares e teve um impacto negativo de milhões de euros", disse o presidente da Câmara de Mondim de Basto, Humberto Cerqueira.

Mariana Faria, técnica da Câmara Municipal "as árvores que arderam no Alvão vão demorar 25/30 anos para voltarem a ser o que eram". A paisagem fantástica das Fisgas de Ermelo, candidata às "7 Maravilhas Naturais de Portugal", ficou agora transformada num enorme cinzento.

O tecido económico do concelho, muito assente na exploração florestal e turismo, sofreu um rude golpe, com a destruição de pinhal. Humberto Cerqueira frisou ainda a "perda de receitas dos conselhos diretivos de baldios e a destruição de vinhas, pomares e campos de milho".

Além disso, uma casa ficou destruída e quatro pessoas desalojadas. "A Câmara vai apoiar a recuperação da habitação", garantiu. O incêndio atingiu as freguesias de Paradança, Ermelo, Campanhó e Pardelhas e

Foram consumidas espécies como pinheiro bravo, sobreiros, carvalhos, toda a vegetação ribeirinha e mato. "Temos habitas destruídos, a produção de mel do Alvão ficou comprometida e as colmeias foram à vida. O pasto está arruinado", enumerou. "É um rude golpe para o parque. Toda a envolvente paisagística das Fisgas do Ermelo ficou destruída e as árvores que arderam vão demorar mais de 25 anos a atingir o tamanho que tinham", concluiu.

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