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A aldeia não acredita no El Dorado e marcha contra o lítio

A aldeia não acredita no El Dorado e marcha contra o lítio

Projeto em Montalegre é dos mais adiantados do país. Este sábado há vigília contra "agressão ambiental". Nova lei é "permissiva para empresas" e "lesa populações", dizem os ambientalistas.

"É uma dor de alma", diz José Carlos Castro, agricultor, 40 anos, que olha os seus terrenos e faz a cara carregada. "Tudo isto, esta maravilha que é Património Agrícola Mundial das Nações Unidas, vai desaparecer se vier a mina de lítio. E isso nunca vamos permitir". Ele repetirá o esgar quando lhe perguntam se é ali, no campo dourado de belas árvores onde pastam os seus animais e há javalis, veados e voam ao alto águias reais, que vai haver uma cratera de 800 metros de diâmetro e 40 de fundo. "Desgraçadamente, é".

Ali é Carvalhais, povoado ao lado de Morgade, a aldeia onde a Lusorecursos quer instalar uma exploração de mineração de lítio que ocupará 825,4 hectares do concelho de Montalegre. É uma das 11 zonas do país com lítio, o metal precioso das baterias de carros elétricos e smartphones, e é das mais adiantadas, juntamente com Boticas, também distrito de Vila Real, e em Argemela, Castelo Branco. O contrato para Montalegre, já assinado, prevê a tal cratera a céu aberto e minas de galerias subterrâneas, com ação de maquinaria pesada e explosões, além de uma unidade industrial de refinação do minério em pó branco.

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