Montalegre

"Aldeia" do anúncio da Optimus não tem redes portuguesas

"Aldeia" do anúncio da Optimus não tem redes portuguesas

"Estão a excluir-nos de Portugal", diz o presidente da Junta de Freguesia de Tourém, um cabo português que entra Espanha dentro, em Montalegre.

A aldeia foi global quando a Optimus lá filmou dois anúncios, mas não é servida por redes portuguesas, nem pela da Optimus, apesar de fonte oficial da operadora garantir lá haver uma "cobertura débil". Mas uma busca de redes, feita no centro da aldeia, só produz duas operadoras espanholas. Resultado: quando os habitantes falam com o seu próprio país, pagam "roaming".

Os dois anúncios levaram a Tourém nomes sonantes: o maestro António Vitorino de Almeida, no verão passado, e Carminho, Moonspell, Rui Reininho e Roberto Leal, no Natal. Mas nem assim a aldeia capta rede nacional.

"Ofereci uma antiga torre da RTP, eletricidade, uma sala para instalar equipamentos, mas nenhuma operadora aceita vir para cá", lamenta Paulo Barroso. O autarca aponta baterias sobretudo à TMN, a operadora do grupo Portugal Telecom que, de forma indireta, ainda é participada pelo Estado e, por isso, "devia cobrir todo o país".

Mas nem as ofertas da Junta nem os abaixo-assinados resultaram. Os 160 habitantes de Tourém - mais de metade com menos de 65 anos - continuam obrigados a pagar "roaming" se quiserem falar com os seus conterrâneos.

E os preços, embora tendam a descer, são altos: até 36 cêntimos por minuto pelas chamadas e 11 cêntimos por SMS. E, ao contrário do resto dos portugueses, também pagam se recebem chamadas de um número nacional: até 10 cêntimos por minuto (preços máximos permitidos).

"Gastam-se tantos milhões em publicidade, por que não pôr aqui uma antena?", pergunta Paulo Barroso. Quem lá vive concorda. "É má vontade", disse Elisa Vila Viana. Só tem telefone fixo e parabólica, que a televisão terrestre também não chega lá.

A Optimus garante que a cobertura será melhorada com a rede de 4G e que Tourém será abrangida pelo sinal, mas não pode ainda avançar com uma data. O JN questionou também a TMN, mas não teve resposta.