Reportagem

O comboio histórico do Douro apita menos, mas com mais gente

O comboio histórico do Douro apita menos, mas com mais gente

CP reduziu viagens a bordo do comboio histórico do Douro por quebra na procura em 2018, mas a campanha deste ano tem tido lotação esgotada.

Sara Pereira fez ontem 26 anos. As Sandras amigas do peito, a Lopes e a Matos, ofereceram-lhe "uma experiência fantástica" no comboio histórico do Douro. Foram três dos quase 250 passageiros da quinta das 23 viagens desta campanha da CP. Cerca de metade do ano passado, mas com lotação esgotada em todas elas, até agora.

Sara é de Guimarães e vive em Santa Maria da Feira. Sandra Lopes é de Braga e Sandra Matos mora no Porto. Ficaram grande amigas durante o mestrado em Gestão Ambiental e de então para cá presenteiam-se com experiências. A de ontem "não podia ser melhor", sobretudo "pelo convívio, pela paisagem e pelo comboio", salientou Sara.

Foi a estreia delas. Foi-o também para Joana Rafael e Pedro Ribeiro. Os namorados fizeram a viagem de Lisboa aproveitando um "muito razoável" pacote da CP que permite comprar um único bilhete. "As vinhas que produzem as uvas para o vinho do Porto são fantásticas", resumiu ela. Ele ficou maravilhado por "viajar num comboio a vapor".

"Fumaça". É como Milton, brasileiro de seis anos, chama ao vapor. "Um comboio com fumaça e com apito", insistiu, acompanhado dos pais, José Cavalcante e Sandra Correia, e da irmã Cecília, de sete meses. "O clima é mesmo bacana, comentou a mãe. Referia-se "às pessoas muito contentes dentro das carruagens de madeira e às de fora acenando à passagem". José ficou mais impressionado com "a locomotiva com quase 100 anos e com os carregamentos de água". "É uma experiência com as crianças incrível e bem marcante, que desperta uma nostalgia muito gostosa".

Jéssica Fernandes, de Murça, fez ontem a primeira viagem de comboio da sua vida. João Martins, de Mirandela, já tinha tido outras experiências, mas noutros comboios. Por tudo o que viveram ontem, "foi muito bem empregado o preço do bilhete".

A campanha 2019 do comboio histórico do Douro, entre o Peso da Régua e Foz-Tua (Carrazeda de Ansiães), arrancou no início deste mês, marcada pela redução do número de viagens para cerca de metade comparativamente com 2018. O número de comboios desceu para 23, o que originou críticas de autarcas.

Um deles foi o de Carrazeda de Ansiães, João Gonçalves, que, juntamente com o homólogo da Régua, se reuniu com presidente da CP para lhe manifestar o desagrado com a decisão. O encontro não mudou nada, pois "disse que terá de ter evidências da procura que permita alargar a oferta", não obstante "os constrangimentos de recursos que tem ao seu dispor".

Essa evidência poderá ser um incremento da procura, como aconteceu em 2017 (10 100 clientes e 375 700 euros de receita), o que fez com que o número de viagens quase duplicasse em 2018. O problema é que a demanda caiu para 6190 clientes, bem como a receita para 234 100 euros, segundo dados da CP. Daí a redução do número de viagens este ano. Circula só ao sábado e no dia 15 de agosto, até 26 de outubro.

Horários
Parte da estação da Régua às 15.23 horas, pára no Pinhão durante 10 minutos, entre 16.03 h e as 16.13 h, e chega ao Tua por volta das 16.34 horas. A viagem de regresso arranca às 17.10 h e termina às 18.32 horas.

Preços
Desde 42,50 euros para adulto e 19 euros para crianças até 12 anos. A CP tem disponível bilhetes combinados que incluem viagens de ida e volta a partir de vários pontos do país até à Régua.

Animação
A locomotiva a vapor puxa cinco carruagens históricas de madeira datadas do início do século XX. Um grupo de cantares regionais anima os passageiros.

Viagens ao sábado até Macinhata e museu ampliado

O comboio histórico do Vouga volta a circular, desde ontem e até 12 de outubro, aos sábados, entre Aveiro e Macinhata do Vouga, Águeda. A composição inclui uma locomotiva diesel de via estreita e três carruagens de madeira, datadas do início do século XX. Cada viagem custa 30 euros para adultos e de 16,5 para crianças, dos cinco aos 12 anos. No ano passado, as viagens eram feitas aos sábados e domingos, mas terminavam antes de outubro. "Este ano, para não sobrecarregar o grupo de músicas e cantares tradicionais que anima a viagem, optámos por fazê-la mais semanas, mas apenas ao sábado", explica Jorge Almeida, presidente da Câmara de Águeda. O comboio sai da estação de Aveiro às 13.40 horas, e segue até Macinhata, onde os turistas podem visitar o Núcleo Museológico do Museu Nacional Ferroviário, que vai ser ampliado. O investimento autárquico "ronda um milhão de euros" e é possibilitado pela aquisição, por parte da Câmara, de um terreno contíguo.

* com Salomé Filipe