Sta Marta de Penaguião

Concelho abriga grande comunidade de romenos

Concelho abriga grande comunidade de romenos

O concelho de Santa Marta de Penaguião, Vila Real, acolhe, actualmente, uma das maiores comunidades de imigrantes na região do Douro, na maioria romenos, disse à Lusa o presidente da autarquia.

Segundo o socialista Francisco Ribeiro, são cerca de 400 os imigrantes que trabalham no município, a maior parte na agricultura. Segundo números provisórios de Dezembro de 2006, estavam em Portugal 10299 romenos, a maioria no distrito de Lisboa (3831). Faro (2210) e Setúbal (1074) são os outros dois distritos portugueses onde se localizavam mais romenos. Muitos destes imigrantes foram para o Douro apenas para as vindimas.

Os romenos Dumitru, 32 anos, e a mulher, Mirela, 28, chegaram a Santa Marta há três anos à procura de melhores condições de vida. Para trás ficaram dois filhos, de sete e 10 anos, a quem - dizem - enviam "todo o dinheiro que sobra" do trabalho na agricultura. Dumitru afirmou que, já na Roménia, era agricultor e que, por isso, a adaptação ao trabalho no campo "não foi difícil".

Mais difícil está a ser a sua legalização e, por isso, prefere proteger-se atrás de um nome que é comum na sua terra natal. O imigrante diz que apesar da sua condição ilegal em Portugal, não se sente explorado pelos patrões para quem trabalha e que, agora, nas vindimas está a ganhar 30 euros por dia e a sua mulher 25.

Em Santa Marta de Penaguião, Mirela refere que vivem "todos como uma família". Nos baixos de uma casa alugada na vila vivem oito romenos, que, em conjunto, pagam uma renda mensal de 450 euros. O mais complicado é, segundo Dumitru, a adaptação ao clima, principalmente ao calor, sob o qual têm que trabalhar nos socalcos das 7 às 17.30 horas.

Petre tem 21 anos e foi às vindimas no Douro para "ganhar dinheiro". O trabalho agrícola também não é novidade para o jovem imigrante que disse que vai ficar mais um mês, regressando depois à Roménia.

Santa Marta de Penaguião foi, durante décadas, um concelho de emigração e acolhe agora o fenómeno inverso, passando a ser também uma zona de imigração. António Monteiro, proprietário da empresa "Agripenaguião", que efectua trabalhos agrícolas para grandes quintas do Douro, diz que tem quatro imigrantes a trabalhar para si. "São bons trabalhadores. Adaptaram-se bem ao trabalho", salientou. Sublinhou, no entanto, que o mais complicado foi o processo de legalização.

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O autarca Francisco Ribeiro diz que "está atento" à situação destes imigrantes até porque, frisa, algumas destas pessoas vivem "em condições degradantes", já que "vários romenos se acumulam em espaços exíguos".

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