Ensino Superior

Despovoamento obriga UTAD a captar mais alunos fora de Trás-os-Montes

Despovoamento obriga UTAD a captar mais alunos fora de Trás-os-Montes

Atualmente, em cada 100 estudantes na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, 65 são de fora da região. "Dentro de seis anos serão 85 ou 90", perspetiva o reitor, Emídio Gomes, que esta terça-feira, em dia de comemoração dos 36 anos da academia, deixou uma "mensagem de exigência e desafio para o futuro", para que "universidade continue a ser digna desse nome".

"Teremos de ser cada vez mais atrativos", enfatizou, ao JN, Emídio Gomes, depois da mensagem de "apelo à resiliência" transmitida no seu discurso à academia. "Só uma UTAD muita atrativa e diferenciadora será capaz de se manter como uma universidade com o prestígio e o impacto que todos ambicionamos", realçou.

Emídio Gomes lembrou que as três Comunidades Intermunicipais da região (Douro, Trás-os-Montes e Alto Tâmega), "não totalizam hoje, sequer, as quatro centenas de milhar de habitantes". As três sofrem com "um saldo migratório negativo", o que, frisou, "acentua ainda mais o envelhecimento da população residente".

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Ora, perante este cenário e a necessidade de captar estudantes noutras zonas do país, o reitor da UTAD não tem ilusões: "Ou somos melhores, mais atrativos e diferentes, ou teremos dificuldades". Por isso, será necessário arregaçar as mangas e "trabalhar afincadamente pelo futuro".

Para concorrer com outros estabelecimentos de ensino superior, Emídio Gomes promete "melhores condições no campus e de acolhimento, tratando melhor os estudantes, tendo um ensino diferenciador e novas áreas apelativas".

Centro Académico Clínico

"Dentro em breve", o reitor espera anunciar "coisas importantes" relacionadas com a ambição da UTAD de vir a ter um curso de Medicina. Para já, o que está previsto é um "Centro Académico Clínico de Trás-os-Montes e Alto Douro", cuja candidatura para a sua criação foi formalizada em dezembro de 2021. Resulta de uma parceria com o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro e com os três Agrupamentos de Centros de Saúde sediados na região.

Emídio Gomes refere-se a este objetivo como "um projeto verdadeiramente inovador que assenta na filosofia diferenciadora "One Health"" (uma única saúde) e que "assumirá uma importância capital na melhoria da qualidade dos cuidados de saúde prestados às populações de toda a região de Trás-os-Montes e do Alto Douro".

Ao mesmo tempo, aquele centro vai inaugurar "uma nova etapa do ensino e da investigação das ciências médicas no país". O reitor não se alongou em mais explicações, mas sempre foi dizendo que este 22 de março de 2022 é "um dia histórico".

Novos projetos

Emídio Gomes leva 10 meses à frente da reitoria e aproveitou, em dia de aniversário da UTAD, para destacar alguns objetivos concretizados: "600 mil euros entregues diretamente à gestão das escolas da universidade, adjudicação da recuperação e remodelação dos anfiteatros de Ciências

Agrárias e de Geociências e a restauração de toda a área envolvente do espaço conhecido por Praça das Pedrinhas, em grande parte entregue à Associação Académica da UTAD".

O reitor deu ainda destaque à candidatura de mais de 30 milhões de euros apresentada ao Plano de Recuperação e Resiliência para "aumentar em mais de 1000 camas a capacidade de acolhimento e de melhoria da oferta da UTAD".

Também revelou que foi provada a candidatura para a criação do "Centro de Transferência de Tecnologia em Enologia, Enoturismo e Gastronomia". É uma iniciativa com um "investimento elegível superior a 2,5 milhões de euros", cuja implementação terá de acontecer "até ao verão de 2023". A primeira fase já está concluída e engloba uma cozinha laboratorial, "espaço único" de apoio à formação em Ciências da Nutrição e gastronomia

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