Vila Real

Olaria Negra de Bisalhães declarada Património da Unesco

Olaria Negra de Bisalhães declarada Património da Unesco

O processo de fabrico da Olaria Negra de Bisalhães foi declarado Património Cultural Imaterial da Unesco, esta terça-feira.

A decisão foi tomada durante a reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial em Adis Abeba, na Etiópia.

A olaria negra de Bisalhães, que é feita em Vila Real, passa agora a estar incluída na lista do património cultural com necessidade de salvaguarda urgente da Unesco, a mesma onde está inscrito o fabrico de chocalhos.

"Portugal está muito honrado pelo facto de, com esta decisão, mais uma das suas tradições passar a estar hoje inscrita na lista de salvaguarda urgente, desta vez oriunda de uma pequena comunidade no norte do país, no Município de Vila Real", afirmou chefe de delegação portuguesa, o Embaixador Jorge Lobo de Mesquita, durante o discurso de agradecimento que se seguiu ao anuncio da decisão da Unesco.

A candidatura foi apresentada pela autarquia vila-realense por se tratar de uma atividade em vias de extinção, cuja principal dificuldade que enfrenta é o facto de existirem apenas cinco oleiros a dedicar-se a esta arte e com idade avançada.

"Estamos certos de que este reconhecimento internacional pela Unesco vai ajudar esta antiga e original atividade a prosperar, não apenas em Bisalhães, que é a comunidade representativa, mas também nas poucas comunidades restantes, em Portugal e no Mundo, onde a olaria negra ainda é produzida", acrescentou o chefe de delegação portuguesa.

Este processo ancestral passa por cozer as peças feitas pelos oleiros em fornos abertos na terra, onde são queimadas giestas, caruma e carquejas que são depois abafadas com terra que, misturada com o fumo, confere a cor negra às peças de barro.

O processo de confeção da olaria de Bisalhães remonta, pelo menos, ao século XVI. Esse método ancestral, desde a preparação do barro à cozedura da louça, foi o primeiro registo cultural de âmbito produtivo, onde prevalece o fator do trabalho humano, a ser incluído no Inventário Nacional do Património Cultural e Imaterial.

A autarquia vila-realense tem em marcha um plano de salvaguarda, orçado em 370 mil euros, que pretende dar um novo impulso à reabilitação deste património imaterial, impedir a sua extinção e aumentar a rentabilidade desta arte.

"Esta inscrição possibilitará ainda que façamos candidaturas a financiamento para levar ainda mais longe esta nossa missão de salvar o Barro Preto de Bisalhães", afirmou o presidente da Câmara, Rui Santos.

O plano prevê, entre outras medidas, o apoio aos cinco oleiros existentes, através da melhoria dos postos de venda, a implementação de cursos de formação para novos oleiros, a promoção de novos designs e novas utilizações, a criação de roteiros e a certificação da olaria e dos oleiros.

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